Estudo vai mapear cérebro de jovens deliqüentes, visando encontrar SE existem indícios de fatores neurobiológicos que levam a pessoa a cometer crimes. Faço eu duas ressalvas:

- Primeiro que o estudo, por si só, não tem a intenção de excluir razões sócio-econômicas, nem psicológicas, mas sim tentar saber se existe influência passiva. Ou seja, o mundo é muito complexo para que relações causais sejam óvias e únicas: mais de um fator pode causar um fenômeno.

- Segundo, a reportagem pode ter sido incompleta, mas desconfio que esta pesquisa carece de um grupo de controle.

Fato é que esta é só mais uma pesquisa científica. Mas parece que (na minha opinião ferindo o princípio de falseabilidade) os defensores de outras correntes teóricas usam de suas conclusões para julgar o novo trabalho como absurdo. Será absurdo mesmo?

Bem, eu tenho o palpite de que características biológicas alteram de fato a forma como cada indivíduo percebe o ambiente a sua volta, e esta alteração é que pode mudar a reação (e a formação de caráter), não a própria característica. Daí a complexa diferença: não se pode concluir que um gene causa violência, porque se submetido a outros ambientes, ele poderia não causá-la. Assim, não importa muito como são as influências neurobiológicas na pessoa se os problemas sócio-econômicos também influenciam, e não só isso, como também ferem direitos humanos tanto quanto o crime que eles geram. Portanto, mais útil mesmo é estudar como o ambiente pode estimular a criminalidade.

Assunto este complexo e muito acima da minha capacidade de compreensão. Mas eu estudei 60 horas de memética e 60 de psicologia, então eu acho que posso ter uma opinião formada. Só não posso usar esta opinião para assinar um abaixo-assinado (a não ser que eu queira assinar por outras razões, mas isso é outra história) como este.

Até!

PS: No De Gustibus Non Est Disputandum tem uma opinião bem mais sintética desta história toda.