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Ricardo Musse, no caderno Mais! da Folha de São Paulo, disse:

“A implementação radical do receituário neoliberal na América Latina, ao destruir um Estado que subsidiava apenas as empresas e a camada mais abastada da população, possibilitou a emergência de governos com coloração mais à esquerda que tendem a ampliar a cobertura social dos despossuídos”.

Ora, se não há uma ironia nessa dialética aqui. Quer dizer então que as reformas neoliberais trouxeram ao país um governo que não subsidia apenas “empresas e a camada mais abastada da população”? Mas logo ele retorna à programação normal e diz que tais reformas possibilitaram os governos de esquerda de entrar na frente e assumir o posto.

Vale lembrar só que “reformas neoliberais” da América Latina são uma vaga lembrança do real neoliberalismo. Basta consultar a Constituição Federal de 1988. Outra coisa: as reformas políticas trouxeram para a população as condições para se avaliar seus governos, e descobrir que Sarney, Collor e Franco são péssimos governantes, e foi esta inaptidão para governar que tiraram seus partidos do poder, não a exposição de idéias neoliberais (que no Brasil são conhecidas como privatizadoras, e nada mais). Até porque, neoliberalismo ou esquerdimos a parte, o que importa é o que o governo faz na prática, e o que a população quer na prática. E em matéria de governança, Lula não anda tão mal quanto muitos tendem a afirmar.

* O forte controle dos juros desde 2002, em vista da condição brasileira de dependente de capital especulativo, fez com que a estabilidade tenha sido alcançada, mesmo que no médio prazo.

* Ele tinha diante dele uma economia extremamente frágil, onde o crescimento dependia de exportações de commodities e capital volátil, com uma população sofre de forte concentração de renda e viés consumista. Ao impulsionar a renda das camadas mais pobres com diversos programas sociais e aumentos reais do salário mínimo, ele reduz a concentração em todos os anos de seu governo, e passa a criar uma demanda interna por consumo cada vez mais forte, ou seja, menos dependente de estrangeiros para o aumento da produção.

* A balança comercial tendendo para valores negativos, em vista da apreciação natural do Real, e os riscos de que a inflação suba fazem com que o país seja um eterno refém dos índices de risco-país. Se o país hoje tem um índice baixo, isto se deve a atuações fortes do governo. O mesmo pode ser dito quanto a inflação, que sofre tolerância zero ( ou melhor, quatro e meio…) do BACEN.

* Agora o governo está concentrado na situação cambial, enxergando o potencial de problemas econômicos que inundarão o país se não tomar logo medidas para forçar o paradigma: mesmo com a economia fortalecendo internamente, a moeda tem que depreciar.

Como eu disse antes, para mim não importa o ideário sócio-econômico da situação ou da oposição, o que importa é o que o governo vai fazer para melhorar a situação dos desalentados, dos abastados e de todos que façam parte da sociedade governada.

PS: Este post foi baseado na coluna de Luiz Carlos Bresser-Pereira para a Folha de São Paulo de segunda feira. Eu não li o caderno Mais! e não sabia de alguns fatos colocados por ele sobre medidas do governo.

Mesmo diante da explosão de consumo das classes C, D e E no Brasil, que hoje correspondem a cerca de metade de todo o consumo nacional, algumas grandes empresas resistem mudar suas estratégias para atender esta nova realidade, preferindo manter a produção destinada às classes A e B, com medo de denegrirem suas marcas. Ivan Zurita, presidente da Nestlé no Brasil, em entrevista à Folha de São Paulo, bem lembrou:

“As sandálias Havaianas têm modelos cobertos de pedras preciosas e o modelo tradicional que uma diarista utiliza para fazer uma faxina. A imagem da empresa nunca esteve em risco por causa disso.”

Ou então criem nomes diferentes, pseudônimos para as próprias marcas. Se é para continuar com o comportamento discriminatório, que pelo menos o façam de maneira mais útil.

PS: Eu estou completamente inépto para postar no blog estes dias. Minha cabeça só tem intelecto para a monografia e o estágio. Minhas matérias restantes na faculdade que sofrerão com isso…

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