Aos quatro ventos

Abril 9, 2008

Depois não diga que não avisei…

Arquivar em: Blogroll, Opinião, Social — /lw @ 12:17 am
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Ultimamente eu tenho sido abruptamente qualificado como uma pessoa “desanimadora”. Nada muito grave, já que não estou sendo as acusações sempre vem com a observação de que não sou um pessimista.
Mas o que leva uma pessoa a me chamar de desanimador? Eu estive pensando sobre isso. O que acontece basicamente é o seguinte: uma pessoa vem toda animada me contar seus planos para o futuro, explicando o que ela quer o que ela pretende e algumas vezes como ela vai fazer para atingir esta meta. Eu, na qualidade de ouvinte que interage com a conversa, por interesse ou curiosidade mesmo, acabo comentando uma série de “variáveis” que a pessoa irá encontrar pela frente. Diante dos meus comentários, a pessoa já com uma feição mais frustrada que antes, diz que eu não devia ter feito aqueles comentários, que não precisavam ser levantados em pauta. Em exemplos, é mais ou menos assim que acontece: meu amigo me conta sobre os planos dele de fazer uma viagem de mochilão pela Europa. Eu, na situação mencionada anteriormente, comento coisas como: “Nossa, que legal!” “Você já pensou em como vai entrar na Espanha?” “Já começou a reservar o dinheiro?” “Já pensou em como será com a sua namorada durante a viagem?”. A pessoa já começa as respostas a estas perguntas com certo ar de emburrada. Daí, eu, na qualidade de alguém que, em alguns casos, já viveu situação parecida, ou em outros casos, já ouviu histórias de quem fez algo parecido, percebo que as respostas da pessoa são fracas, são coisas que até onde eu sei, percebi que tem altos riscos de não dar certo. Continuando no exemplo, a pessoa da respostas como: “Legal mesmo!” “Hah! Chegando lá eu converso com os caras.” “Liga não que eu pago com cheque especial.” “A gente termina enquanto eu estiver fora, quando eu voltar a gente se reencontra.”. E agora? O que eu faço?
Não sem bem o porquê, nem como ou quando, mas a partir de uma época da vida eu comecei a admirar o conceito de “harsh people”. Trata-se daquelas pessoas que vivem sempre com recursos claramente escassos. Como os antigos vikings. São pessoas duronas, que tem uma determinação ferrenha, coragem incrível e sabem bem a diferença entre o corajoso e o louco. “Uma casa só será realmente sua se foi você quem a construiu.” Creio eu inclusive que foi daí que surgiu o conceito atual de meritocracia. Mas, no meu caso, o que eu sigo como ideal baseado no “harsh people” é a satisfação que eles encontram em vencer desafios. Não é o caso masoquista de querer que surjam desafios, mas uma aceitação de que desafios são necessários para que um objetivo seja realmente legítimo. Uma vez que você enfrentou e venceu os desafios na conquista de seus planos, você sente mais na pele o valor daquilo que você conseguiu.
Portanto, sempre quando eu tenho meus próprios planos, e vejo diante de mim desafios possíveis de serem vencidos, eu tento enfrentá-los com gosto. No final, as coisas acabam sempre valendo mais a pena. (“harsh” também é a atitude de aceitar sem muita lamentação o fardo de lidar com coisas impossíveis de serem vencidas, como um terremoto que derruba a casa que você construiu. Injusto? Não importa, aconteceu e agora é seguir em diante. Mas isto é assunto para outro post).
Voltando a sonhada viagem de meu amigo às libertinagens holandesas, belezas francesas e curiosidades alemãs… o que farei? Se fosse comigo, eu não só gostaria que me falassem o que enfrentarei pela frente como, se eu demonstrasse que não estou preparado para enfrentá-lo, gostaria que me alertassem para evitar frustrações piores no futuro. CLARO que, se mesmo assim eu quiser arriscar, o risco é meu e eu só queria a opinião do amigo, não a limitação dos meus atos. Mas não é comigo a história, é com ele! Qual será a minha reação? Antes de saber que sou uma pessoa desanimadora, eu continuaria avisando que os espanhóis não são tão abertos a negociação assim e tal. Hoje, sabendo que isso desanima as pessoas, ao invés de encorajá-las (como faria comigo), eu vou acabar respondendo “Poxa legal… boa viagem então!”
Afinal, estamos em terra onde se plantando tudo dá mesmo.
Isto não é uma crítica a quem age diferente, ou às pessoas que me chamaram de desanimador ou adjetivos semelhantes. É só um comentário que foi escrito com um bom humor da minha parte!
“Nossa, estou com sede e ali tem um copo de 200ml de volume e 100ml de água!”
“Este copo está meio cheio! Vou matar minha sede!”
“Não! Este copo está meio vazio! Esqueça-o pois não vai matar a sede.”
“Ele está meio cheio… mas como está também meio vazio, acho que depois de bebê-lo vou procurar mais água em outro lugar. De preferência já levando o copo comigo…”
Outro dia eu falo sobre outra péssima mania minha, que também contribui para a minha imagem de “do contra”: o contrarianismo!

1 Comentário »

  1. Eu tenho um adjetivo para as pessoas que ficam desanimadas ao conversar com você: fracas.

    Comentário por Lucas h4x0r — Abril 18, 2008 @ 1:47 am | Responder


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