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Minha resposta ao comentário de Leandro Roque, no Instituto Mises, sobre crises financeiras e a culpa do governo nesta bagunça toda:
“Acho que vocês me detestariam mais do que detestam alguém de esquerda! Eu não me interesso muito em me posicionar na esquerda ou na direita. Minha posição ‘ideológica’ e política é outra: eu sou governista! (viu como vocês me odeiam agora?)
E não vim fazer este comentário para vandalizar o site nem desrespeitar a opinião de vocês. Pelo contrário, vim aqui para conhecê-la. Mas, até por uma questão de legitimar o Instituto frente a pessoas não austríacas, eu gostaria de comentar este texto.O autor afirma, pelo que eu entendi, que recessões são temporadas de reajuste econômico necessárias pois a atuação de um banco central desestruturou o mercado. Isto deve ser uma terrível verdade, afinal, nada que seja planejado pelo governo consegue prever todos os impactos de sua intervenção. Mas o que eu não concordaria jamais é que recessões sejam desejáveis! O governo é, assim como todas as instituições terrestres, composto por pessoas. Enquanto acontecem recessões, pessoas passam fome e sofrem de desemprego. Empresas fecham, a instabilidade e violência aumentam. O risco de fanáticos conseguirem influência aumenta. Uma atuação do governo durante uma recessão é um risco muito alto, mas é um risco que a maior parte das pessoas está disposta a correr. Até porque, no final, atuações governamentais no curto prazo abrandam os problemas, que acabam por atrapalhar o médio prazo, mas no longo prazo… comparar o mundo hoje com o mundo de 1900 mostra que as recessões não impediram que a relação custo-benefício da atuação do governo fosse boa para a sociedade.
Não esqueci o ponto principal: recessões são CAUSADAS pelos governos. Devem ser mesmo. Acho que mais que a crise de 29, a experiência socialista seriam um ótimo exemplo disso, ou até mesmo a África. Contudo, acredito que os governos, na condição de instituições formadas por pessoas, aprendem com os erros, e pouco a pouco aprendem a ter MEMÓRIA dos seus erros (o que é um ponto importantíssimo). Assim, a sociedade deposita no governo, como seu porto seguro, a proposta de fazer experiências econômicas em prol do desenvolvimento e da melhoria do bem-estar. É um risco que elas correm, mas é um risco tal qual aquele que houve de destruírem o mundo com um acelerador de partículas (ou seja, vale a pena tentar dar errado para que um dia a gente consiga fazer dar certo)! O que as pessoas querem dos economistas não é que eles descubram que o mundo tem que ser livre para funcionar – isto é inútil. Porque, se a sociedade for economicamente livre, ela vai começar a escolher pagar para que os economistas saibam como forçar desenvolvimento. E, livres como elas serão, vão votar em quem se propõe a tentar fazer isso. Seja ele Barrack Obama, seja ele Sarney, seja ele Hitler.
A meritocracia é uma forma muito justa de tocar a sociedade. Mas, se implantada (definitivamente, hoje em dia ela é bastante precária), surge a dúvida: o que fazer com os incompetentes? Eu estaria ferrado! Vai ver é por isso que eu defendo o governo. Prefiro o risco de um dia descobrir como o governo poderá promover o desenvolvimento do que ir pro olho da rua por ser um baita inútil!
Aceito qualquer resposta, desde que não xinguem minha família! E agradeço muito quem leu até aqui! Obrigado!”
Aqui eu corrigi um pouquinho meu português e melhorei a coesão do texto. Os caras no site vão me xingar muito por ter postado um texto bagunçado!
Até!
