“Não quero um dia a mais. Quero um dia de paz.”
Letra de Herbert Vianna que eu gostava muito, mas antigamente não concordava de maneira alguma. Sempre quis a cidade grande, a vida intensa, o trabalho recompensado, o sufocante dia a dia com milhares de pessoas que não te conhecem, prédios com elevadores, shoppings com escadas rolantes, músicas de verdade, pessoas interessantes, futuro, tecnologia, civilidade, selva de pedra. A viva não tem o menor sentido por si mesma – logo, cada um faz dela o que quiser – logo, cada um arruma para sua vida a importãncia que conseguir – logo, arrumemos cada um uma utilidade para a vida.
Quando mais novo, eu acreditava que era preciso dias de 25 horas, situações explosivas e concorrência perfeita para que toda essa vida interessante. O meu mote era “Se não pode ser agradável. Que pelo menos seja útil.”
Hoje eu aprendi como tirar vinho de água. Eu me sinto tão confortável. Aprendi que a vida louca da cidade grande não era louca. Era só mais uma forma miserável mesmo de se tratar o dia-a-dia. As pessoas não vão as fetsas pra se divertir, não trabalham pelo dinheiro, não vão ao shopping para passeios de alta tecnologia. Aqui funciona extamente como no interior morinbundo. As pessoas não sabem o que querem na vida, e descontam essas incertezas umas nas outras. Os revolucionários, coitados, se acham livres mas são os mais afetados pelo fedor humano. Logo eles desistem, ou enlouquecem. A única coisa que os poderosos têm que os fracotes não têm é acesso a formas mais criativas de se masturbarem. Porque essa busca pela felicidade, que estupra a cabeça de cada um, não passa de umas trocas de fluxos e excreção de endorfina. E quem paga por essa necessidade retardada das pessoas são as outras pessoas, de preferência os cobaias, os menores, os mais idiotas, os manés, os quadrados, os esquisitos. Seja no interior bucólico, seja na capital de indústria, a vida, por si só não é sequer miserável. Ela não é nada.
A vida é a epítome do niilismo. Seja na visão de um ateu que enxerga a vida como um mero fluxo constante de genes e memes. Seja na visão de um religioso, que percebeu que para Deus, o que importa é o que fazemos de nós mesmos, e se você fica só esperando vai viver um inferno de inutilidade e ridicularidade na Terra mesmo.
Ao perceber que as coisas caminhavam para esta conclusão, eu no meio do caminho mudei de rumo. “NOT GIVING A FUCK!” é o que normalmente as pessoas diriam. “I want to change the world!” é o que os inocentes cantaiam. Eu decidi me incrustar no meio dessas duas reações. Pra mim, a busca pela felicidade é inútil. A busca pelo conhecimento é a única outra opção que eu conheço.
Eu sou uma pessoa muito feliz. Sinto uma paz de espírito grande comigo mesmo, que só é quebrada de tempos em tempos, quando eu preciso me adaptar para tomar novas decisões na minha vida. Decisões novas? Ou seja, mudanças? Sim, mudanças. Mudanças de rotina.Descobri que a coisa mais maravilhosa que a cidade grande tem para te oferecer é o COTIDIANO. A maior das recoluçãos é a revolução do normal. A beleza da vida, e o segredo da felicidade não são buscas a serem feitas. Se você for correr atrás da sua felicidade não vai acalnçar ela nunca. A vida nos oferece a mediocridade como ferramenta, para que a partir dela possamos descobrir, pouco a pouco, aquelas coisas que valem a pena e aquelas que é bom empurrar para quarta feira a noite. É graças as feiras que os sábados e domingos se tornam deliciosos. É graças a proximidade com o sábado que a sexta tem seu gostinho a mais. É graças a proximidade com o domingo que a segunda é op dia que você adora odiar.
São os pequenos detalhes no seu computador do serviço. É quando alguém derruba o café na mesa. É quando alguém escreve uma letra G de uma maneira gay, ou quando você percebe uma ato falho na conversa de uma mulher. Se não tivesse o dia a dia, não teria o dia D.
E o que é isso Igor? Uma receita de alto ajuda para a humanidade? Acho que não. Os primeiros paragráfos deste texto continuam sendo reais. Seja pela biologia, seja por Deus, temos a maldição chamada Livre Arbítrio. O livre arbítrio é a obrigação das pessoas de terem de arrumar para si o que fazer da vida. Eu arrumei a busca pela virtude do equilíbrio. Você pode buscar uma ideologia para revolucionar o mundo, um crime para praticar, uma besteira para colecionar. A felicidade então não se encontra em nenhum lugar no mundo. Muito menos em você mesmo. A não ser que você decida que ela estará lá. E se for para você escolher um lugar, acredito que o melhor é econtrá-la no fundo de uma garrafa de cerveja. Vai por mim, a vida assim fica mais fácil. Não eseja um estúpido como eu que tenta recusar estas verdades supracitadas. Enche sua cara longo porque seus radicais livres estão te comendo.
Até
(: