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[este é um antigo post meu, que estava perdido em meio ao meu LastFM. Na falta de criatividade e de tempo, deixo vocês com esta pérola da crítica musical não-muito-construtiva!]
Com seu papo poesia me transcende
Pato Fu? Clã? Pillows? Na-nan… Aqui está o meu verdadeiro Lado-B.
A Banda Penélope (ou Penélope Charmosa… mais uma banda brasileira que não quis problemas com a Hanna-Barbera por motivos autorais), tinha uma proposta musical bem interessante – música para meninas. Bem, você pode então chamá-las de músicas “shoujo” , para uma melhor definição.
Versos como “hoje estou rubra pra baixo da cintura”, “brother is at home/he is tewty-five”, “lá fora o sol é radiante/meu vestido esvoançante tem um corte” mostram bem esse lado. Até o cover de Tom Zé, Namorinho de Portão, tem o seu lado meio “shoujo”: “o seu papo-furado/Paris lua-de-mel” e “o papai com cuidado/já quer saber/sobre meu ordenado/só pensa no futuro”, mesmo que cantada no masculino. E as músicas que fugiriam a este tema começam a falar de fantasia, sonho e cenários bucólicos. A perfeita definição do “shoujo” musical!
“Shoujo” musical cantado com uma voz de menina da Érika Martins, com flautas e pianos fazendo uma música que lembra o folk-rock. Eu chamaria de… pop-folk. Bom que ainda causa um certo embaraço ao brincar com duas palavras que se referem ao povo!
Penélope não fez sucesso, e a banda hoje deixou de existir para que Érika Machado seguisse carreira solo, algo que me chateou muito. E eu não entendo de qualidade técnica musical: deixo esta para quem quiser comentar este post. O meu gosto musical, para o bem ou para o mal, é pouco afetado por este tipo de variável! O importante para mim é que a música seja interessante para determinados momentos, e é extamente o que acontece com Penélope.
E assim como os shoujo mangá, Penélope me distrai, faz-me rir das pequenas coisas e me sentir relaxado com as grandes. Tudo o que eu preciso, por exemplo, para caminhar distraído até o meu serviço.
Have fun! Até!
=]
Little Joy é a banda formada por um projeto alternativo de Fábio Moretti, baterista de The Strokes, e Rodrigo Amarante, ex-Los Hermanos. Tive a oportunidade de ouvir algumas músicas deste álbum, e delas eu drecomendo especialmente Shoulder to Shoulder, que é uma espécie de “balada noir” (fez sentido? Detesto definir estas coisas).
Gostei do que eu ouvi. Tive a impressão de que a qualidade da gravação estava aquém, mas enfim. é muito boa a sensação de ver um som bom como de Strokes mais as vozes arrastadas de Amarante e a Binki Shapiro. O som é lento e experimental, muito livre, às vezes em excesso. Mas para mim soa melhor que Los Hermanos, e menos enjoativo que Strokes¹ (quando se houve o álbum inteiro).
Enfim, depois de ouvir Little Joy eu fiquei com um gosto maior pela reinvenção. Creio que eu possa estar exagerando, mas ouvindo as músicas eu tinha muito a sensação de ouvir sons clichês renovados, algo como remake de clássicos. De novo, vale ouvir a Shoulder to shoulder para tentar entender o que eu digo.
Recomendo!
Enquanto isso, Marcelo Camelo, o outro lado ex-Los Hermanos, seguiu para uma ode a tudo que ele mais gosta, no álbum Sou. Este álbum ficou parecido com meu blog: feito para a própria pessoa que o “produz”, não para quem o “consome”.
¹Não que ter o mesmo baterista faz de little Joy e Strokes bandas que devem ser comparadas, mas o próprio estilo que resultou da formação dessa banda tem no Strokes um bom referencial de comparação.
Digista não é necessariamente um filme. é na verdade um programa na televisão japonesa NHK. Mas como eu o assisti em um tellão de cinema aqui no Festival Indie de Cinema 2008, eu o coloquei na página In popular culture como um filme no meu acervo.
Ele foi composto por várias animações de cerca de três minutos cada. Algumas muito boas, outras acabam caindo vítimas da falta de senso dos japoneses, e perde muito o sentido. Eu também não sou um fã de animações cujo o único objetivo é mostrar a técnica dos autores, sem algum enredo ou personagem, ou moral ou qualquer outra coisa que dê sentido para a sequência de imagens e sons exibidos.
No geral, foram animações fantásticas, que eu creio valer a pena correr atrás delas, e de mais outras que o programa mostre. Serve para mostrar o quanto as pessoas conseguem ser criativas, e em inúmeras dimensões diferentes (áudio, vídeo, montagem, enredo, personagem, técnica, referências). Se você se considera uma pessoa criativa, conheça o Digista. Se sair de uma sequência de animações destas e continuar achando que falta alguma coisa para mostrar, você tem uma veia artística a ser expressa. Algumas sugestões:
PEDAÇO (Piece), de Yusuke Koyanagi, 2007, 2′27 min. Sem diálogos.
GELADEIRAS (Fridges), de Fujio Tanabe, 2007, 6′53 Min. Sem diálogos.
O CORREDOR (Runningman), de Tetsuro Kodama, 2006, 4′30 min. Sem diálogos.
Se alguém conseguir novas, por favor me avise onde procurar!
Neste novo tipo de posts preparados para a nova fase do Quatro Ventos, eu escolhi iniciá-lo com um divisor de águas da animação japonesa, que também serviu de divisor de águas para o meu gosto pessoal: Neon Genesis Evangelion (ou simplesmente Eva). Fazem-se lá alguns bons anos desde que eu consegui assistir a série toda. Ênfase no verbo “conseguir”: naquele tempo, nos idos de 2001, para assistir Eva eu corria atrás de amigos que tivessem a TV por satélite DirecTV: a única em Campo Belo que exibir o canal da Locomotion, canal que passava os episódios dublados de Evangelion. Alguns eu assistira diretamente, mas a maioria eu tentava gravar em fita para assistir em casa. (Inclusive… acho que foi aqui que começou a série de eventos que culminou na máxima “Tem coisas que acontecem com todo mundo. Para todas as outras, existe o Kaze”. Algum dia eu comento sobre isso). Eis que a luta para conseguir assistir aos episódios era enorme. Tanto o meu vídeo era de péssima qualidade, tanto quanto os vídeos dos meus dois principais amigos que me permitiam gravar os episódios (Fernando “Mamute” e Marcelo “Madinbu”). Quase todas as gravações tinham um péssimo som (eu colocava a TV no máximo e chegava bem perto dela para ver); muitas vezes os vídeos não gravavam; outras gravava mas sem sinal; por vezes a DirectTV simplesmente perdia o sinal da Locomotion; algumas vezes as fitas ficaram velhas demais e meu vídeo as engoliu; dois cúmulos que eu me lembro foi a gravação de um episódio em espanhol e o fatídico dia em que eu estava para gravar o penúltimo episódio, e coincidentemente a CEMIG foi fazer a manutenção do poste em frente a casa do Mamute… E o filme (End of Evangelion) foi um caso a parte. Eu precisei comprar ele em um dos famosos fansubbers da época, o Lum’s Club ( naquele tempo, fansubber significava encomendar a gravação de uma fita VHS legendada por fãs. Um pouco diferente dos fansubbers de hoje…). Eu tive que “sintonizar” o tracking do vídeo, que invariavelmente comprometia a imagem do filme até seus primeiros 30 minutos. E quando acabou a primeira parte do filme (para entender melhor, leia as sinopses nos links que eu deixei), eu achei que ficaria sem ver o final porque eu pensava só ter conseguido a primeira parte do final da série. De repente eu percebo que não! Que eu tinha todo o final. Surpreendido, eu assisti o filme todo de pé!
Enfim… foi uma luta para assistir a série. E foi uma luta recompensadora. Eu até então só convivia com histórias simplistas e personagens clichê. Eva foi por si só um formador de clichês para histórias futuras: relacionando personagens, tramas, cenários e diálogos complexos com cenas de ação, ficção e até fanservice em boa medida. É uma ótima maneira de pular para historias de adolescentes para o mundo dos contos maduros (afinal, foi a maneira que EU fiz isso). Mas a idéia aqui não é repetir o que já foi repetido incansavelmente ao longo de 13 anos desde o início da série (de 94 a 95). O importante que eu quero passar nestes “Depois de” é a impressão que ficou depois de assistir a série.
Uma coisa que fica no ar, discutível, quando se termina End of Evangelion, é: “afinal, qual a moral da história?”. Pra mim, é o legado. Eva se passa em meio a um cenário complexo e obscuro. Boa parte das referências mitológicas e científicas não é explicada na série. Seria ideal o espectador correr atrás de livros que expliquem conceitos como “Sala de Gaf” ou “caldo primordial”. Origens e razões de muitos personagens são incógnitas, e muitas coisa só se entende conectando diálogos e cenas (no final, você sabe traçar passo a passo o que foi acontecendo com Adão? Este é um bom exercício. Se desistir, o mangá explica melhor.). No meu entendimento, isto significa deixar em aberto muitos sentidos da história, que não necessariamente encontram uma resposta certa.
Eu falei legado, porque o que eu acho mais forte para nortear as coisas no curso da trama de Eva é a razão de agir de cada personagem. Tome nota: Shinji e Asuka vivem a resignação de não terem seus pais, ou melhor, terem perdido seus pais de forma trágica. O objetivo de Gendou de manipular toda a conspiração e o Terceiro Impacto em prol de reencontrar sua mulher. A Seele e seu funesto objetivo de unificar as almas de todas as pessoas. E o principal: a razão de Yuri de criar o projeto Eva era permitir que, independente do que acontece com a Terra e com os homens, houvesse uma prova deque um dia a vida existiu no universo. E é bem legal você relacionar o sentido destas vontades. Enquanto os dois primeiros se perdem por não saberem porque foram colocados no mundo (resposta que só encontram no filme), o objetivo de Gendou se frusta assim que sua marionete entende que ela é por si só será a fonte de vida do mundo após o Terceiro Impacto. Entre outras situações, os diálogos importantes dos demais personagens se concentram justamente no que se fazer com a vida, como tocar ela e como deixar no mundo a sua própria marca.
Alguns muitos vão discordar de mim, dizendo que mais importante que isso seria o tema relacionamento humano, entendendo que o sentido mais forte trazido pela série é de que “quanto mais as pessoas se relacionam, mais elas alteram uma a outra”. Está certo. A série mostra muito como as pessoas podem se machucar ao esperarem que as outras ajam de uma maneira que elas acabam por não agir. Só que para mim isto não foi o mais forte, até porque esse sentido se conclui no meio da série. Os personagens, lá pelos idos do episódio 18, já se “entenderam” – não se reconciliaram, mas perceberam que não vão conseguir aproximar muito um do outro. Daí pra frente, cada um deles reage de uma forma própria.
Assim, mais do que só o relacionamento das pessoa, o que mais marcou em mim em Eva foi a reação das pessoas ante a realidade – o que você vai deixar no mundo? Você quer ser lembrado? Como? E pelo quê? Até quando o que você faz influencia a vida alheia? Resumindo: qual o legado que você vai deixar para nós?
Que papo mais filosófico! Mas Eva é assim, aberto e conceitual. Então acho válido soltar um papo viajado sobre ele, né?
De qualquer maneira, Eva é uma série que vale muito a pena assistir e ler o mangá (que ainda hoje tem sido lançado no Japão e no Brasil). Para quem gosta de animes e mangás, é praticamente obrigatório. Para vocês que são da minha época, soa absurdo falar assim, mas para a geração Pokemon e geração Naruto, eles precisam saber que existe muito mais além destes dois sucessos, e mesmo além de Death Note ou Gantz.
OS: Sempre quis escrever este texto. Não queria que ele saísse solto e sem revisão ou referência. Mas eu não tive muita escolha, e a partir de agora meu tempo pra este tipo de coisa vai realmente se encurtar. Mas eu vou tentar dedicar um pouco mais a este blog, mesmo que seja em textos rápidos e opinões rápidas de notícias mundo afora. Tomara que fique algo legal!
Inteki!


