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Ao que parece, até nas aulas básicas que ensinam sobre oferta e demanda do pequeno vendedor de limonadas a partir de agora são alvos de críticas de alguns alunos – aqueles hostis ao pensameno científico econômico.

Isto porque quando Mankiw começar a desenhar seu exemplo.. “Suponham uma criança vendendo limonadas…” os alunos espertalhões vão começar a dizer “E, professor, mas você tem que ver que se a criança não tiver autorização do governo, ela não tem o direito de vender sua limonada!!”

É… a abstração em prol da lógica vai se tornar cada vez mais difícil…

Chegou até mim graças ao blogue De Gustibus Non Est Disputandum

De Gustibus non Est Disputandum: “Um país de todos requer políticos que realmente combatam privilégios e não que os criem.”

Gosto muito quando o professor Shikida argumenta e dá sua própria opinião. Normalmente ele s’sabe das coisas, guarda pra ele, joga a ironia e eu que tenho que me virar pra investigar do que se trata! heheh

Até!

Lucia Hippolito:

“Estamos assistindo a um duelo de morte. Entre o velho coronelismo e os novos tempos de internets, blogs, twitters e julgamentos em tempo real.”

Eu gosto muito da reverência com que ela fala dos coronéis. Eles merecem o respeito dela. Mas vale lembrar que não se respeita apenas aqueles que se preza. Você respeita quem merece. Por mais que Sarney seja um monstro que corrói a democracia brasileira (nem tanto hoje quanto ontem), ele o faz com impacto e influência. E tem muita história. Ela o trata com um respeito que exala também repúdio.

Quem é capaz de tratar os seus e também os seus contrários com este nível de compostura, merece a minha admiração.

Até porque eu não sou capaz. Se aparece perto de mim Sarney me causaria náuseas. Porco nojento, imundo e
desgraçado.

Do Not Tupy:

“A lógica da liberdade positiva não é falha em si: de fato, a necessidade e a escassez diminuem a “liberdade”, assim como as leis da física, o fato de você não ter uma máquina do tempo, não respirar embaixo d’água, não ser Napoleão Bonaparte… É o conceito de liberdade do moleque birrento, considerar como opressão não poder fazer tudo o que se quer na hora que se quer, e ter todas as coisas que se quer.”

Fazia tempo que eu não o visitava. E eu o revi num momento certo: ele foi muito feliz nas colocações sobre a liberdade positiva. Que eu nem sabia que tal conceito tinha definição e nome… para além do mundo das idéias.

E é engraçado quando eu discuto estas noções perversas de liberdade. As pessoas começam a defender liberdade, liberdade, liberdade.. e eu paro para questionar: muitas vezes as pessoas acham que estão exigindo liberdade, quando na verdade o que elas querem é poder.

A diferença às vezes não é simples.

Liberdade é a oportunidade que você tem de escolher qual fim você quer alcançar. Os meios ainda devem depender das suas capacidades, de sorte e, naturalmente, da liberdade do próximo. Como conciliar a sua liberdade com a liberdade do próximo*? Neste sentido, a necessidade de cumprir requisitos para alcançar um fim pode garantir que as demais pessoas também tenham de cumprir requisitos para alcançar o mesmo fim, mesmo que os meios dela possam ser outros.

Já quando você crê que o importante não é só escolher um fim, incluindo também esclher os meios para alcançar este fim, dai você está querendo ganhar, além de liberdade, poderes. Você não quer simplesmente seguir a carreira de escritor de blogs que mora no Leblon. Você quer que isto seja mais fácil de se alcançar do que realmente é. Você quer que as pessoas facilitem, colaborem, não concorram, aceitem, você que que a sorte seja igual pra todos. Para estas coisas, é preciso poder: para alterar as suas capacidades (ou os critérios de avaliação de suas capacidades), a própria sorte (ou a sorte dos outros), e você quer que as pessoas não te atrapalhem (ferindo a liberdade delas de escolher serem pedras nos seu caminho, seja qual for as razões delas).

Tem uma situação que pode parecer maluca a princípio, mas que para mim caracteriza bastante a como noção de liberdade é paradoxal.

A minha amada escritora do blog Publicidade Positiva, questiona o tamanho grau de vigília da sociedade (radares, câmeras fiscalizações, conferências de documentos e coisas do gênero), acusando estas medidas de serem geradoras de desconfiança, que por sua vez criam mais desconfiança e, enfim, desafeto na sociedade.

Eu já penso que estas medidas de monitoramento e controle são formas de demonstrar confiança na sociedade! Porque as pessoas são livres: se elas quiserem agir de má fé, elas tem a liberdade de querer fazê-lo. Cabe à sociedade respeitar essa decisão e impedir que tais pessoas tomem a iniciativa, ou punir quem a tenha realizado. Assim, por respeito a você, à sua liberdade e ao seu papel na sociedade, eu quero ver suas credenciais de boa pessoa, e se você não for uma boa pessoa, quero impedir que você prejudique os demais. Perceba que isso serve porque o safadinho tem liberdade (de agir de má fé) e o vigia também (de tentar impedir que uma atitude de má fé prejudique alguém). A confiança? A confiança vem da postura dos monitores: quando um segurança numa boite revista você, ele está confiante de que você terá uma arma ou está confiante de que no máximo ele tira umas casquinhas hoje?

Posso ir mais longe! Posso inferir que quando você exige que não sejam mais necessárias vigílias, e que assim devemos confiar nas pessoas, você está na verdade exigindo dois poderes: primeiro o poder de impedir que as pessoas escolham agir de má fé, para que assim você não precise se preocupar com segurança; segundo o poder de impedir que os demais sejam desconfiados (afinal, se uma pessoa for desconfiada, a única solução para a satisfação dela é promover a vigília)

Concluindo**: liberdade é um conceito complexo, que muito facilmente pode cair em contradição ou se tornar uma hipocrisia. E a solução da questão da liberdade passa pelo respeito à liberdade do próximo: até que ponto
suas exigências não ferem a liberdade alheia?

Até!
* Desculpem o excesso de palavras repetidas e escassez de recursos textuais… são 1h23m da manhã de domingo e eu acabei de chegar de uma mesa de bar.
** Este texto ficou BEM complexo. Se as melhores mentes leitoras do meu blogue não entenderem, por favor manifestem-se!

Lucia Hippolito deixou um último comentário antes de entrar de férias:

“Voto proporcional em lista aberta, permissão de coligação em eleições proporcionais, mecanismo perverso de distribuição das sobras eleitorais, foro privilegiado. 

Esta é uma combinação explosiva, que distorce a vontade do eleitor e cria uma casta de seres superiores, que desprezam a opinião pública e não prestam contas a ninguém.”

 

E eu sem tempo para posts desse tipo…
Só o comentário rápido: não se precisa de um voto distrital, só uma forma melhor de ligar o voto ao partido e o partido à pessoa. Desde minhas aulas de políticas eu cheguei à conclusão de que os partidos políticos no Brasil carecem de maturidade e identidade.

Pra mim as chances de ocorrer esta maturidade residem na cooperação entre PSDB e PT como uma única frente centro-esquerda. E a partir disto, surgir uma centro-direita legítima, e não essa coisa ruralista e paternalista esquisita que eles chamam de DEM, e eu chamo de pitorescos. E acabar com a aberração chamada PMDB.

Claro, tudo isto assumindo que os abusos de poder político e as improbidades administrativas sejam gradativamente diminuídas com o tempo.

Ta aí o que faltou no pequeno longo post da Lucia, e no meu próprio: mudar? Mas mudar como?

O governo Lula mostra cada vez mais evidencia que na hora do aperto, a capacidade do pessoal petista para implementar políticas públicas é no mínimo… retardatária.

Corroborando, leia Míriam Leitão aqui e aqui.

Lucia Hippolito:


“Hoje o mais ético dos deputados nem pensa em arcar com suas despesas de telefone e correio nem pagar aluguel a preços de mercado, como fazem seus eleitores. O mais ético dos senadores não recusa a cota de gasolina nem devolve as passagens de avião pagas com dinheiro público”

Afinal, por mais ético que eles sejam, eles são pessoas: respondem a incentivos e são bem espertinhos.

De fato acontece um problema sistêmico… estrutural… institucional na Casa e no Senado. Mas há que se reconhecer que mensalão e casos assim não denunciam um aumento na corrupção no Governo. Na minha opinião, estes casos expostos demonstram uma evolução na capacidade (e no interesse) da sociedade em tomar conhecimento destes casos. Aliás, acredito que com a troca de governo de PSDB para PT, toda uma estrutura corrupta que haveria ali deve ter sido destruída. Assim, para montar uma nova rede de privilégios e porcarias, criou-se o mensalão (entre outros esquemas que jamais tomaremos conhecimentos.

Mas eu creio que estamos evoluindo sim.

Não só Lula foi o segundo Chefe de Estado a ser recebido pelo Sr. Hussein, como alguns blogueiros andam avaliando que nomes como Denis McDonough na Alta Administração estadunidense significará que EUA consideraram o Brasil um país para se cooperar com, não mais para se prestar simples assistência.

É nóis crescendo, na humildade!

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