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No Meio-bite hoje se tem uma historinha sobre datilografia em máquinas de escrever. Com o curioso comentário, que eu fui no jornal O Globo confirmar: “Dona de equipamentos que leem placas de carro pelo ar e preveem fenômenos radiológicos, a cidade de Nova York investiu recentemente quase US$ 1 milhão em… máquinas de escrever”.

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Teremos aqui uma postagem mais pessoal, ok? Daquelas que só eu mesmo vou entender. Desculpem-me.

Estou aqui na cidade em que fui criado para visitar meu pai. Passeando pela cidade, percebo o quanto eu me esqueço das pessoas, tanto dos nomes quanto dos rostos. Eu notei que a atendente de uma lanchonete fora uma menina que com certeza estudou comigo na no Colégio Armstrong por uns anos, mas não lembro mais nada dela. Encontrei com um colega de turma nerd e ele chega pra mim e diz que eu estou muito diferente. Desviei o assunto para não responder “não faço nem ideia de quem você é”. Leia o resto deste artigo »

Quando um autor resolve “prever” o futuro para criar um cenário que se passa à frente do nosso tempo, escolhe diversas tendências e modas, e as potencializa até elevar o status de algo típico de nossa “então cultura no futuro”. Claro que qualquer um com bom senso sabe que existem dois poréns: uma pessoa é incapaz de pensar em tudo (quanto mais deduzir as implicações de tudo nos anos que se seguirá); e um autor pega somente os temas que interessam para ele ou para sua obra, nem que seja um mínimo de interesse estético.

Interessante, na minha opinião, notar que todos autores futurólogos que eu conheço subestimam um ponto muito peculiar da nossa cultura atual: os coletivos.

É um conceito bizarro: o “coletivo” a que me refiro é um termo que vi na Revista Superinteressante, que tenta explicar um grupo de pessoas que se unem para fazer algo, seja qual for este algo.

“Retardado! Isto é lógico! Pessoas só conseguem se reunir para fazer algo! Nem que seja tomar cerveja fim de semana ou ver mulher na porta de casa!”

Calma! O que você não perceberá, se não esperar eu terminar de explicar, é que há pessoas que se reúnem por razões muito inusitadas. Sim, as pessoas sempre se reuniram para beber, ou para fundar uma empresa, ou estudar… mas desde quando as pessoas se reúnem para construir um coelho visível apenas pelo Google Maps? Ou para se fantasiar de zumbis em diversas parte do mundo? A Wikipédia é livre para qualquer um editar. Em BH (território dominado pela República Federativa do Brasil) existe o Ystilingue – espaço de “cooperação solidária entre grupos autônomos e indivíduos” e havia a Lojinha Grátis – cujo nome descreve literalmente a proposta da loja. No site da própria Super tem alguns exemplos de coletivos legais.

Os fãs de anime e mangá das antigas vão se lembrar de como era difícil e polêmico o trabalho dos fansubbers (grupos de legendam e distribuem animes gratuitamente) antes da Internet. Além de legendar os animes, eles tinham que copiar a fita e enviá-la para o fã; e ainda por cima fazer a manutenção dos videocassetes, que não aguentavam produções massificadas por muito tempo.

O que eu gostaria de incluir neste conceito são as novas formas de manifestação social, tais como orçamento participativo, a Ficha Limpa, e o Travel Hospitality Club (também em versões micro, como a comunidade do Orkut Caroneiros de BH/Campo Belo).

Coloco todos estes movimentos junto aos misteriosos coletivos porque ambos  são novas formas de se relacionar uns com os outros, e com isso criar algo que tenha um impacto na vida dos demais. E estas formas são novas não porque não existiam antes, mas porque quando informação era uma coisa cara as pessoas não conseguiam atingir grandes grupos, estes grupos nasciam e morriam sem causar impacto ou causando polêmicas demais. A não ser um punhado de exceções, como Jesus ou Lutero.

Mas estes grupos não tem a intenção de serem grandes organizações de terceiro setor ou algo parecido, eles possuem como único e exclusivo objetivo… seu próprio objetivo. Se eles se tornam grandes ou pequenos, se eles ficam ricos ou definham, se são morais ou imorais, pouco importa. O importante é se levantar da cama e fazer aquilo que foi proposto. É o que a Superinteressante chamou de Quarto Setor.

Hoje de manhã quando saí de casa, me deparei com um folhetinho bem ordinário com os dizeres “Você usa o pedaço verde da Rua Nicarágua? Já pensou alguma coisa sobre esse espaço público no meio dos prédios?”, além de alguns desenhos bonitos e slogans como “Tão pertinho de casa”. No bairro Sion existe um… troço errado… com a Rua Nicarágua. Ela termina em um lote vago (tem uma plaquinha com o nome da rua do outro lado, aliás) com um caminho cabuloso e escuro que algumas pessoas usam de atalho para a rua Patagônia (outra bizarrice, diga-se de passagem). O problema é que outras pessoas usam como fumódromo de substância ilegais, rendendo muita insegurança nos arredores. A proposta não está nem elaborada: você entra no blog com o usuário e senha e começa a postar suas idéias lá (acho a idéia até meio arriscada de sofrer vandalismos).

Então, o meu ponto é que antes eu podia até achar que estas coisas “alternativas” só chegavam a mim porque eu sou meio esquisito mesmo, e vivo cercado de gente doida (conheço o cara que inventou a Rola Kitty, e os malucos RPGistas do zine Mamute! além de uns membros do Gato Negro, um povo que quer pintar ciclovias clandestinas em BH…). Mas este folhetinho que chegou a mim vai chegar à minha vizinha que acha meu grupo de RPG barulhento, à república festeira do Paulo, e ao meu síndico que tenta dar tumé via controle de garagem.

Assim sendo, se eu fizesse minha versão de Bladerunner, 1984, Shadowrun, Lain, Minority Report, O demolidor… eu colocaria ao lado das mega-corporações ou super governos, enormes e complexas redes sociais, e poderosos membros do terceiro setor. Além de ter durante a minha história a eterna sensação de que, na verdade, quem manda mesmo no mundo é o discreto e bobinho quarto setor.

Close this world. Enter the nExt.


De tantos transtornos
e calamidades internas
Transformo em flores
as minhas tragédias
Subvertendo condições e valores
Transformando o monocromático
em cores
Poeira em pólem
Espalhando com o vento
todos os meus sentimentos
convertidos em pensamento
daqueles momentos, antes tristes
que agora trazem sabedoria e alegria
para que um dia, enfim
tenha eu,
o meu jardim…

Liege S.A.P.

Tecla S.A.P.

Eu devia ter apertado esta tecla a algum tempo atrás. Já estava mais do que na hora de descer do troninho infame de quem acha que sabe o que os outros querem dizer.

Há poucas semanas eu escutei os novos álbuns de Metallica e Guns ‘n Roses. Desde então pensei num post sobre a época em que eu ouvia estas duas bandas. Com a fatídica morte de Michael Jackson, eu senti que era mesmo a hora de falar daqueles tempos.

A época que eu falo é a primeira metade da década de 90: 1991 a 1995. É verdade que eu sou da opinião de que as décadas andam muito mais em decênios de 5 dígitos (66-75;76-85;86-95;96-2005;2006-2015…). Opinião intuitiva, sem muita fundamentação. O que importa aqui é que eu tenho a impressão de que 91-95 era a época de consolidar e esgotar tudo que fora criado nos anos 80.

Naquele tempo, eu era um pirralho, e do tipo que fazia muita bagunça. Eu adorava a companhia de meus primos da capital, todas as férias. Eles sempre me mostravam novidades incríveis, e eu ficava deslumbrado com tudo. Tudo menos comidas – custei a ter coragem de experimentar McDonalds e Pizzas diferentes. Por exemplo, foram eles que me apresentaram pela primeira vez um Compact Disc – justamente Dangerous. E, não sei se vocês se lembram, a capa deste álbum parece uma obra Rococó vienense! Aliás, os vestígios dos anos 80 ainda eram fortíssimos, e tudo na cultura era colorido de uma maneira brilhante e bizarra.

Neste tempo eu ainda não tinha condicões de formar minhas próprias opiniões (eu mal tinha 10 anos!). Mas várias coisas me marcaram.

Michael Jackson era mesmo uma delas. Foi talvez o primeiro cantor que eu realmente gostei. Meu pai trabalhava numa rádio de Campo Belo, e eu sempre pedia para tocarem músicas dele (quase sempre me davam um cano). Já meu irmão, bem mais velho que eu tinha sim seus gostos, e graças a mexericos nas gavetas dele eu pude ouvir Black Album, Guns ‘n Roses, Nirvana, Skank, Biquini Cavadão, Raimundos e… Miquinhos Amestrados!! Minha capacidade de interpretação era.. diferenciada: por exemplo eu associava Enter Sandman a ninjas, e Nothing Else Matters a ninjas morrendo dramaticamente…

A TV ainda era muito importante no meu dia a dia. Lembro de como me viciei em Tartarugas Ninjas e os Trapalhões. Gostava muito de Changeman e Jiraya, mas me recusava a assistir Jaspion ou Flashman…agora só não me pergunte que critério excêntrico eu utilizava para saber diferenciar a “qualidade” das obras. Eu passava longe de Sessão da Tarde. Só assistia filmes alugados, como as Tartarugas supracitadas ou Short Circuit 2. (Até hoje pago o preço por isso: nunca vi filmes como Curtindo a vida adoidado…). Uma tia minha foi morar nos EUA nessa época, e começou a me mandar filmes para assistir, mas eu ainda não entendia o inglês deles.

Eu comecei a ler quadrinhos e revistas. Eu viciei em revistas. Assinei minha primeira Superinteressante em 1993. Minhas duas primeiras HQs foram Grandes Encontros Marvel e DC: Super-Homem vs Homem-Aranha e “A aventura máxima dos titãs.”

Videogames entrariam na minha vida pra valer nesses anos. Eu não me tornei um nerd por causa de videogames, mas o primeiro sinal de que eu seria um freak surgiu assim. De longe, Mega Drive é o console mais gostoso de se jogar. Eu orgulhosamente fui o primeiro a alugar a fita Sonic 2 em Campo Belo; viciei em Street Fighter; era louco com jogos como Street Fighter II, Streets of Rage 2, Fifa Soccer… eu acordava todo sábado 6h30m da manhã para entrar na fila da Brinquei e alugar fitas antes dos outros (e ficava puto com quem as alugava na sexta…). Lembro do primeiro computador que eu vi. Era verde e preto, e o rapaz jogava Prince of Persia.

Isto tudo, claro, seguiu até o dia em que eu assisti a este episódio, ouvia Qualquer bobagem e tudo mudaria…

Como estas variáveis influenciaram no meu gosto atual? Não sei bem. Até pouco tempo atrás eu dividia meu gosto em antes e depois de Evangelion e a Internet. Mas as vezes sinto que vai mais além disso.

Fiquei agora curioso em pensar o que meus amigos ouviam, assistiam e jogavam nessa época?

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