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Veio até mim graças a The Icy gaze of the princess of fireflies, que ressaltou:

“o desenho é do ilustrador Patrick Moberg
acho legal descobrir a fonte dessas coisas.”

Referências nerd a parte, parabéns ao Hussein Obama II

(:

Veio até mim graças ao De Gustibus Non Est Disputandum: Juliano Torres publicou uma notícia no site Libertarianismo sobre um município que rejeitou seus candidatos via votos nulos:

“Vejam o município Bom Jesus do Itabapoana .
Devido ao baixo nível do candidato, de um total de 26.863 eleitores que compareceram às urnas, 20.821 eleitores conscientes decidiram anular o seu voto. [...]
Os votos nulos somaram 20.821 ( 89,23%). [...]
O candidato a prefeito, João José Pimentel, do PTB, não servia e a população cuidou de eliminá-lo no voto.
O TRE terá que fazer nova eleição e o candidato reprovado não poderá se candidatar novamente. O interessante é que esse fato não foi divulgado em nenhuma mídia.
Até a Globo se calou.”

Até!

“Não pergunte o que seu país pode fazer por você — pergunte o que você pode fazer pelo seu país.”

“Para os homens livres, o país é o agregrado de indivíduos que o compõe, e não alguma coisa acima deles. Ele é orgulhoso de sua descendência e leal às suas tradições comuns. Mas ele considera o governo como um meio, um instrumento, nem um garantidor de favores e presentes, nem um mestre ou deus para ser cegamente adorado e servido.”

[traduções livres]

Existe um detalhe nestas linhas que você deve abstrair por conta própria leitor. Os homens livres tomam suas próprias decisões, qualquer que seja esta decisão; e o país é o agregrado de indivíduos que o compõe, então ele representa também o agregado de opiniões que o compõe. E se os homens livres decidirem se limitar? E se o agregrado acredita na beatificação do Estado?

Mas enfim, não é tão fácil assim definir o que uma nação inteira quer. O que fazer? de que lado você fica? Como o Brasil se enxerga? Uma olhada na Constituição ajuda a vslumbrar um pouco.

Estas frases são respectivamente de JF Kennedy e Milton Friedman, que eu traduzi livremente deste post do Mankiw. Que aliás, me lembrou muito uma certa crítica de Matizes Escondidos às coisas que dá para fazer pelo governo

De Matizes Escondidos:

A questão é a seguinte: votar exige um esforço considerável (se informar sobre os candidatos, sair de casa, esperar na fila, etc), sendo que a possibilidade de um voto individual decidir uma eleição é mínima. Parece então, que o custo de votar supera o seu benefício esperado.

De XKCD:

Elections

Gostei do comentário de Arnaldo Jabor de hoje (O que eu gosto mesmo é da musiquinha de vinheta dele! Quero conseguir ela para colocar no meu celular.).

Os dois destaques:

Sobre as eleições do Rio, cuja vitória de Paes sobre Gabeira aconteceu com cerca de 55 mil votos de diferença, sendo que cerca de 900 mil cariocas não votaram. Como bem disse Jabor – quiseram ficar na praia em vez de ir votar? Depois não vão chorar pelo choppinho derramado!

E sobre os candidatos eleitos, ele argumentou que um ponto muito forte a favor (na verdade, ele olha pelo lado negativo: um ponto contra) os candidatos são seus apoios. O candidato pode até ser de boa índole, talvez um bom prefeito, mas como ele teve apoio, ele vai ter de ceder cargos importantes da prefeitura para os apoiados (ou os apioados dos apoiados). Assim, se a corrupção e o mau governo não se expressar no prefeito eleito, provavelmente isto acontecerá nas suas secretarias. Jabor então condena todos os eleitos que tiveram de se aliar a péssimos políticos (em especial ele critica Paes, do Rio), e comemora derrotas (como a do Quintão, que se aliou ao Newtão. NÃO!). Esta é uma das maiores fraquezas do presidencialismo de coalizão.

É por esta mesma razão que Lucia Hippolito celebra a quase eleição de Fernando Gabeira:

“No Rio de Janeiro, Fernando Gabeira não foi eleito, mas obteve esplêndida vitória política. Mostrou que é possível fazer uma campanha diferente, positiva e propositiva, sem golpes baixos, sem sujar as ruas, sem ataques pessoais ao adversário, sem máquina e sem pegadinhas. Venceu na Zona Sul, na Zona Norte (região de bairros tradicionais no Rio) e no Centro. Perdeu na Zona Oeste e no subúrbio.”

Este blogue também viu a candidatura de gabeira como positiva (mesmo achando ele não tão boa idéia assim, como prefeito), pela mesma razão dela: mostrou que uma política diferente pode ser feita desde as eleições. Quase, quase ganhou. Imagina como seria um governo em que você não ficasse devendo cargo para quase ninguém? Você poderia dormir com a consiência limpa de dizer que, se deu errado ou certo, a culpa foi do seu partido, da sua idéia: e não dos parasitas que chupam todo o seu sangue governista. (usando uma linguagem bem à la Arnaldo Jabor. Reparem o quanto eu ando lendo e ouvindo os mainstream. Ha ha ha! Afinal, quando você só estuda alternativos eles deixa de ser alternativos!)

Até!

Lucia Hippolito:

“E não se esqueçam: eleição é, no final das contas, uma disputa de caráter (conceito emitido pelo governador Mário Covas, que continua atualíssimo).”

Infelizmente. Caráter deveria ser pressuposto, ou um filtro, NO MÁXIMO até o primeiro turno.

O mesmo valeria para a eleição decidir pela melhor administração. Outra variável que deveria ser dada, e não dependente.

As eleições deveriam estabelecer um debate no campo político e ideológico.

Mas, enquanto este mundo perfeito ideal não se aplica, Mário Covas continua atualíssimo.

Vote bem. Até!
(:

“Não é pesquisa que vota. Quem vota é gente”

Mas eu acho que isso é um bom sinal, um indicador de que a democracia está melhorando.

Como assim? Pense bem, desde nossa redemocratização, estamos com a oportunidade de colocar em cheque a capacidade de articulação e maturidade política dos nossos candidatos. Estas gafes e situações ridículas a que os candidatos se submetem mostram o quanto o controle social aumentou nessas eleições. Em Belo Horizonte, por exemplo, os eleitores não estão tão apáticos* quanto alguns afirmaram no fim do Primeiro Turno, pelo menos na minha opinião.

Ao final do nosso primeiro turno, ficou claro que a coligação informal PSDB-PT era um desafio muito grande, e quase deu tudo muito errado. Primeiro por ter sido uma “aliança” mal articulada em nível nacional, gerando desaprovação generalizado entre parcelas dos partidos. Segundo os eleitores ideológicos (especialmente petistas) não admitiam tal união. Terceiro porque o candidato não aparecia como alguém capaz – a campanha não fez questão de elevar qualidades de Lacerda, priorizando a mesma coligação política que gerou tanta polêmica e opiniões divergentes. Por fim, a falta de currículo político de Lacerda, aliada ao nome sujo na sociedade pelo mero envolvimento com o caso mensalão (mesmo que inocente, sua idoneidade moral foi abalada).

Assim, muita gente não teve coragem de confiar nessa campanha, preferindo os candidatos secundários ao apoiado pelos caciques. Ou seja, as pessoas comuns (que não tem cultura de acompanhar o cenário político além das eleições e de alguns poucos casos mais sérios, como o mensalão) não iriam aceitar um candidato sem uma apresentação devida e cercado de polêmicas pelos entendidos do assunto (jornalistas, estudantes, concorrentes, militantes, etc). No ato de votar para o segundo turno, as duas grandes apostas seriam Jô Moraes e Leonardo Quintão para concorrer com Lacerda. Creio que Quintão praticamente absorveu boa parte dos eleitores da Jô ao montar uma campanha complementar a dela. Enquanto ela era extramente politizada, ideológica e contrária ao Lacerda, Quintão apareceu como um pragmático, que trataria a prefeitura como as pessoas tratam suas empresas e suas famílias, com uma atitude aparentemente sincera e simples. Com um adicional de se declarar um bom entendedor de orçamento, afirmando que iria fazer tudo que fosse possível pela prefeitura, dentro dos limites, sem irresponsabilidades. Comparando Jô com Quintão, sendo o importante haver um segundo turno, as pessoas escolheram Quintão. Na verdade, eu vou mais além na minha opinião para dizer que no primeiro turno Quintão absorveu os votos de rejeição a Lacerda, justamente porque as pessoas queriam um segundo turno, mas não tinham coragem de votar em uma pessoa radical como Jô. Pra mim, o país tem uma preferência pela centro-esquerda, não pelo socialismo.

Então, o que acontece no segundo turno é um melhor equilíbrio na Assimetria de Informações. Pense em um filme muito bom, que ganhe continuações desnecessárias (Efeito Borboleta 2, por exemplo). Essas continuações serão pautadas em mostrar mais do mesmo: qualquer apelo que havia no primeiro filme, que fez sucesso, será exarcebado numa continuação ruim. Foi o que Quintão fez. O jeitinho mineiro dele no primeiro turno aparecia durante alguns minutos no horário eleitoral, e ninguém realmente se importava com ele – era um canidato do PMDB que existia por existir. Esse jeito dele conquistou muitas pessoas. Só que manter mais do mesmo, acreditando que em time que está ganhando não se mexe, fez com que as pessoas vissem como esta publicidade era ridícula. Cai agora foi no desgosto. Especialmente a partir do momento em que ele ficou em primeiro lugar nas pesquisas, graças (na minha opinião) a uma euforia dos eleitores quanto ao resultado nas urnas, a concorrência passou a agir contra ele, em vez de apenas se auto promover, como fora no primeiro turno. Bastou todos prestarem atenção em Quintão para ver como ele é um ridículo, um politiqueiro, demagogo e, pelo visto, despreparado. Muito mais do que Lacerda, que neste segundo turno sim apareceu a público, trouxe sua própria personalidade e usou bem melhor seu appoio político. Rejeição de Quintão, mais melhor** aprovação de Lacerda, gerou um empate nas pesquisas.

Sinceramente, desde o final o primeiro turno eu já esperava que isto aconteceria. Os belorizontinos não são estúpidos, são pessoas com pouca escolaridade e uma péssima cultura política, mas basta dar a eles as informações certas que eles vão fazer o que é melhor para si. Aposto na vitória de Lacerda, mas não descarto que Quintão possa sair triunfante nesta eleição, porque a ainda existem as polêmicas quanto a mal formada Aliança por BH.

Até!

* O que não muda o fato de que, com nossa parca educação, temos grandes dificuldades de desenvolver uma consciência ou uma memória políticas. Na minha opinião, o caso é de que a população QUER formar uma melhor opinião, mas não consegue.

** Isto não foi um erro de português! Leiam com atenção!

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