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Notícia que recebi do próprio pessoal do Pato Fu (mediante o Fu Contact):

Fernanda Takai e John Ulhoa fazem uma participação muito especial no show que a banda portuguesa Clã faz em São Paulo, SP, no dia 28/11 no palco da Choperia do SESC Pompéia. O Pato Fu e o Clã já tem uma longa história de participações e colaborações na carreira um do outro, e essa será uma oportunidade rara de vê-los tocarem algumas músicas juntos, do repertório de ambos, algo como o que fizeram no Rock In Rio Lisboa do ano passado. Conheça o Clã.

E Ricardo Koctus mostra seu trabalho solo no festival Goiânia Noise no dia 26/11. O Festival está em sua décima-quinta edição, mais informações aqui.

Eu definitivamente fui para São Paulo na semana errada (apesar de ter sido das melhroes visitas a uma cidade que já fiz!).

Até!

Escute e veja porque eu formei este meu temível gosto musical! Olha a primeira música do Pato Fu que eu ouvi:

Pato FuQualquer Bobagem

Composição: Tom Zé

Chegue perto de mim
Não precisa falar
Acenda o meu cigarro
Não queira me agradar

Não decida nem pense
Não negue nem se ofereça
Não queira se mostrar
Não queira se guardar

Queira, queira queira
Escute essa canção
Ou qualquer bobagem
Ouça o coração

Há poucas semanas eu escutei os novos álbuns de Metallica e Guns ‘n Roses. Desde então pensei num post sobre a época em que eu ouvia estas duas bandas. Com a fatídica morte de Michael Jackson, eu senti que era mesmo a hora de falar daqueles tempos.

A época que eu falo é a primeira metade da década de 90: 1991 a 1995. É verdade que eu sou da opinião de que as décadas andam muito mais em decênios de 5 dígitos (66-75;76-85;86-95;96-2005;2006-2015…). Opinião intuitiva, sem muita fundamentação. O que importa aqui é que eu tenho a impressão de que 91-95 era a época de consolidar e esgotar tudo que fora criado nos anos 80.

Naquele tempo, eu era um pirralho, e do tipo que fazia muita bagunça. Eu adorava a companhia de meus primos da capital, todas as férias. Eles sempre me mostravam novidades incríveis, e eu ficava deslumbrado com tudo. Tudo menos comidas – custei a ter coragem de experimentar McDonalds e Pizzas diferentes. Por exemplo, foram eles que me apresentaram pela primeira vez um Compact Disc – justamente Dangerous. E, não sei se vocês se lembram, a capa deste álbum parece uma obra Rococó vienense! Aliás, os vestígios dos anos 80 ainda eram fortíssimos, e tudo na cultura era colorido de uma maneira brilhante e bizarra.

Neste tempo eu ainda não tinha condicões de formar minhas próprias opiniões (eu mal tinha 10 anos!). Mas várias coisas me marcaram.

Michael Jackson era mesmo uma delas. Foi talvez o primeiro cantor que eu realmente gostei. Meu pai trabalhava numa rádio de Campo Belo, e eu sempre pedia para tocarem músicas dele (quase sempre me davam um cano). Já meu irmão, bem mais velho que eu tinha sim seus gostos, e graças a mexericos nas gavetas dele eu pude ouvir Black Album, Guns ‘n Roses, Nirvana, Skank, Biquini Cavadão, Raimundos e… Miquinhos Amestrados!! Minha capacidade de interpretação era.. diferenciada: por exemplo eu associava Enter Sandman a ninjas, e Nothing Else Matters a ninjas morrendo dramaticamente…

A TV ainda era muito importante no meu dia a dia. Lembro de como me viciei em Tartarugas Ninjas e os Trapalhões. Gostava muito de Changeman e Jiraya, mas me recusava a assistir Jaspion ou Flashman…agora só não me pergunte que critério excêntrico eu utilizava para saber diferenciar a “qualidade” das obras. Eu passava longe de Sessão da Tarde. Só assistia filmes alugados, como as Tartarugas supracitadas ou Short Circuit 2. (Até hoje pago o preço por isso: nunca vi filmes como Curtindo a vida adoidado…). Uma tia minha foi morar nos EUA nessa época, e começou a me mandar filmes para assistir, mas eu ainda não entendia o inglês deles.

Eu comecei a ler quadrinhos e revistas. Eu viciei em revistas. Assinei minha primeira Superinteressante em 1993. Minhas duas primeiras HQs foram Grandes Encontros Marvel e DC: Super-Homem vs Homem-Aranha e “A aventura máxima dos titãs.”

Videogames entrariam na minha vida pra valer nesses anos. Eu não me tornei um nerd por causa de videogames, mas o primeiro sinal de que eu seria um freak surgiu assim. De longe, Mega Drive é o console mais gostoso de se jogar. Eu orgulhosamente fui o primeiro a alugar a fita Sonic 2 em Campo Belo; viciei em Street Fighter; era louco com jogos como Street Fighter II, Streets of Rage 2, Fifa Soccer… eu acordava todo sábado 6h30m da manhã para entrar na fila da Brinquei e alugar fitas antes dos outros (e ficava puto com quem as alugava na sexta…). Lembro do primeiro computador que eu vi. Era verde e preto, e o rapaz jogava Prince of Persia.

Isto tudo, claro, seguiu até o dia em que eu assisti a este episódio, ouvia Qualquer bobagem e tudo mudaria…

Como estas variáveis influenciaram no meu gosto atual? Não sei bem. Até pouco tempo atrás eu dividia meu gosto em antes e depois de Evangelion e a Internet. Mas as vezes sinto que vai mais além disso.

Fiquei agora curioso em pensar o que meus amigos ouviam, assistiam e jogavam nessa época?

Ontem antes de ir dormir eu resolvi escutar algumas músicas do Pato Fu. Banda que a meses eu não ouvia. Isto foi um pouco antes de dormir. Coincidência (ou não, como o tema deste post sugere), eu sonhei com a banda. Sonhei que eu era m convidado especial para um videoclipe com eles. O pequeno detalhe de que eu não sei tocar nenhum instrumento musical (menos ainda cantar) não precisa ser relevado.

Eu já tinha ouvido dizer que as últimas coisas que você percebe ou reflete antes de ir dormir serão muito influentes nos seus sonhos ao longo da noite. Dizem que, exercitando, você pode até controlar esta característica: mentalizando coisas propositadamente logo antes de ir dormir para sonhar com elas.

E tem também o eterno papo do subconsciente. Será que eu sonhei com a banda porque eu queria fazer parte dela mesmo? Normalmente as pessoas tratam de maneira confusa estas situações: umas são normativas ao consultar livros genéricos sobre sonos; enquanto outras fazem dos argumentos de maneira ad hoc (não importa o que você sonhos, isto será uma prova de que sonhos são influenciados pelas suas vontades secretas).

De qualquer maneira, lembrei de uma frase: “se você nunca foi comunista, é porque nunca teve um bom coração”. Penso diferente: “se você nunca quis ser artista, você nunca teve coração”. Não concorda?

Aliás, imagine aquele mundo comunista maravilhoso, onde as pessoas sempre irão trabalhar com aquilo que querem trabalhar, pois todos têm direito ao mesmo grau de satisfação na sociedade (ou você acha que as pessoas parariam de exigir após terem todos seus recursos socializados? Feliz, mas não final feliz.) Todos quererão ser artistas. Na melhor das hipóteses, tdos vão querer trabalhar com aquilo que mais gosta, tratando o trabalho assim como o artista trata sua arte.

Ou seja, os recursos serão socializados, para alcançar a máxima felicidade de todos. E os sonhos?

PS: O tom “político” não é proposital. O assunto do post continuou sendo como as pessoas se enxergam. (Eu sei que eu sou difícil de entender…)

Olha só: sexta-feira é aquele dia em que todo mundo te impõe o fato social de que não se pode comer carne. As pessoas mal sabem o que diabos isso significa. Sabem que é dia da mãe ou da vó preparar aquele bacalhau. Quem gosta bate palma, quem não gosta curte só o cheirinho…

Mas enfim, já que tu irás curtir um bacalhau fixe, aproveita para entrares num clima português e escuta umas músicas giras da Terrinha! Eu tenho aqui umas que eu gosto:

Belle Chase Hotel – São Paulo 451

Naquela praça suja com merda de pombo, patrulhada pelo sexo,
ele chega ás quatro polindo o sapato p’ra vender o seu amplexo.
E os homens passam, notam seu bigode, mas na coxa se extravasam.
Veio sua amiga, a loira José, convidando para o café.
E ao segundo brandy, já José se expande, esboroando seu baton:
“Amanhã não estaremos aqui,
veja se bebe um pouco e sorri e tira esses olhos do chão!
O futuro é lindo: eu já vi!
E o avião vai directo para lá!
Vamos embora dessa aflição!”.
E Manuel morena tomou os seus calmantes por causa dos joanetes.
E disse cansado que estava assustado pois nunca tinha voado:
“E se há um acidente? E se o passaporte?
Será que não sentes o medo da morte?
Me dá um cigarro!
Me dói a cabeça!
P’ra quê tanta pressa? E a depilação?”.
“Amanhã não estaremos aqui,
veja se bebe um pouco e sorri e tira esses olhos do chão!
O futuro é lindo: eu já vi! E o avião vai directo para lá!
Vamos embora dessa aflição!”.
Bem mais animadas frescas e pintadas foram-se embora de vez.
No dia seguinte num canto da praça quem passou podia ver duas prostitutas tão deselegantes acenando p’ra você.

No mínimo… uma música trajicômica! Coloquei aqui o clipe dela, mas ela fica ainda mais hilária quando apenas ouvida > Ou vai me dizer que você esperaria ouvir uma música que fala de conflitos psicológicos de travestis? Ou seja, quando você percebe pode ser tarde…. “Aí está Ronaldo Bola!”

JP Simões & Luanda Cozetti – Se Por Acaso

(Ele)
Se por acaso me vires por aí
Disfarça, finge não ver
Diz que não pode ser, diz que morri
Num acidente qualquer
Conta o quanto quiseste fazer
Exalta a tua versão
Depois suspira e diz que esquecer
É a tua profissão

E ouve-se ao fundo uma linda canção
De paz e amor

(Ela)
Se por acaso me vires por aí
Vamos tomar um café
Diz qualquer coisa, telefona, enfim
Eu ainda moro na Sé
Encaixotei uns papeis e não sei
Se hei-de deitar tudo fora
Tenho uma série de cartas para ti
Todas de uma tal de Dora

E ouvem-se ao fundo canções tão banais
De paz e amor

(Ele)
Se eu por acaso te vir por aí
Passo sem sequer te ver
Naturalmente que já te esqueci
E tenho mais que fazer
Quero que saibas que cago no amor
Acho que fui sempre assim
Espero que encontres tudo o que quiseres
E vás para longe de mim

E ouve-se ao fundo uma velha canção
De paz e amor

(Ela)
Na sexta-feira acho que te vi
À frente da Brasileira
Era na certa o teu fato azul
E a pasta em tons de madeira
O Tó talvez queira te conhecer
Nunca falei mal de ti
A vida passa e era bom saber
Que estás em forma e feliz

E ouve-se ao fundo uma triste canção
De paz e amor

Esta música (com o mesmo vocalista, mas agora em trabalho solo) já tem uma letra profunda por si só (e não pela repercussão social, como fora o primeiro caso). Bem legal imaginar a história dos dois (ignorando a pasta de madeira e o terno azul…). E é um encontro de brasileira com português. Este JP Simões é muito bom cantor e compositor. Se vencer a barreira do preconceito com a língua portuguesa de Portugal, procure mais sobre ele.

Pato Fu – Boa Noite Brasil

Essa noite o locutor errou mais uma vez
E um satélite no céu contou pra todo mundo o que ele fez

Eu não gosto muito dele, perfeito até demais
Nunca diz um palavrão e nem pediu perdão
Pra recomeçar de onde parou, sem mesmo piscar

No intervalo comercial reuniu seu pessoal
Disse que assim não dava pra continuar

Demitiu seu assistente que foi quem o distraiu
E mandou toda sua gente descobrir quem foi que riu
E recomeçou de onde parou, sem mesmo piscar

Quando o intervalo acabou, eu não sei se o senhor notou
O seu rosto estava cheio de uma fúria
Os seus olhos cheios de uma dor

E ao se despedir do telespectador
Disse: Boa noite, Brasil, vai pra puta que o pariu

Se você lê meu blog porque me conhece pessoalmente, Pato Fu dispensa comentários meus. Se veio parar aqui acidentalmente, saiba que Pato Fu para mim é absolutamente a banda mais gostosa de ouvir. Ainda não surgiu música ruim do Pato Fu que eu tenha notícia (O que você esperava? Com um blog maluco desses, o autor tinha que ser meio variado da idéia…). Mas enfim, independente do Pato Fu, esta música está aqui pela participação especial de Manuela Azevedo, vocalista da banda Clã - poprock português que muito me agrada. Aliás, vem daqui meu interesse inicial por música portuguesa. Só alguns meses depois minha desaparecida amiga Rita me daria um CD com sugestões de bandas para que eu ouvisse. Daí eu conheci JP Simões, Humanos, Gomo e Ornatos Violeta. Clã já havia entrado no meu repertório de maluquices musicais, que até então era exclusivamente nipo-américo-brasileiros…

Divirta-se com o novo! :)

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