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Osamu Tezuka, Metrópolis, em português. Preciso dizer mais?
“Sim!”

Tá bom, eu não vou comprar agora, até porque minha pilha de livros e quadrinhos para a leitura está no limite. Mas estando no meu blog, eu vou lembrar disto um dia, e aí sim terei como comprá-lo!
Há uma leve resenha no Blog dos Quadrinhos, que foi quem me avisou do lançamento, inclusive.
Algum dia ainda vou falar muito sobre o que eu penso de nerds, e sobre o impacto deles na mídia por aqui. Hoje vou me limitar a comentar este post (em inglês) sobre como a década pode ser chamada de década dos superheróis no cinema.
Eu tenho uma pequena teoria sobre tendências de décadas. Pra mim elas de verdade começam em meados do seus “dígitos” (digamos, década de 80 começou em 85), e terminam apenas dez anos mais tarde. Assim sendo, a década de 2000, na esfera das tendências e modas, teria começado mesmo em 2005 e terminará em 2015. Isso não implica em uma relação binária, que se supõe uma revolução cultural no ano de 2004 nem no ano de 2014.
É apenas uma observação intrigante, que as tendência de uma década começam apenas discretas nos seus dígitos iniciais(80, 90, 2000), tomam forma mesmo nos meados dos dígitos (85, 95, 2000), e a partir daí seguem do auge ao declínio até meados dos próximos dígitos (95, 2005, 2015), época em que as pessoas vão começar a rechaçar a década anterior, e provavelmente lembrar de como as coisas eram mais legais na penúltima década (vide a festa Supra-sumo, e o fato de que ela não está sozinha).
Só pra corroborar minha pequena teoria, o filme Batman Begins é de 2005, e antes dele os filmes de supers ainda estavam tentando se firmar. Ainda teremos o auge deste movimento com os filmes da Liga da Justiça e dos Vingadores, que são iminentes. Depois, suponho eu, teremos um declínio que culminará em sátiras e piadinhas sobre como eram bobos estes filmes feitos pra nerds.
Cabe dizer também que a consolidação dos filmes de suoer heróis veio, naturalmente, com a capacidade tecnológica conseguir reproduzir os mitos dos quadrinhos sem parecer coisas ridículas. Quando o hype techno acabar, as pessoas vão voltar a enxergá-los como as bobeiras que são. O respirar final das grandes empresas de quandrinhos residem nas rendas destes filmes e franquias, aliás…
E o que virá depois, para o cinema blockbuster? E para a Marvel e DC?
E eis mais uma delas, com o pessoal do Omelete. Ele fala um pouquinho só de Batman, fala um bocado do finado filme da Morte, e fala um tanto bom sobre Coraline. Confere lá!
Imagina se isto tivesse ocorrido antes de Kingdom Hearts?
(eu tinha errado o nome da Disney…)
No novo blogue que eu estou assinando, Melhores do Mundo, fez-se uma rápida reflexão sobre “O parceiro que substituiu o mentor” nos quadrinhos, ou seja, quando um herói clássico é substuído por outro novo e revolucionário. Ele defende que Wally West tenha sido uma boa substituição para Barry Allen (O Flash). Ele critica Kyle Rayner, o lanterna Verde subtituo de Hal Jordan.
Eu gostei do que ele disse. Menos da crítica ao Kyle Rayner.
Não só eu gosto do Kyle Rayner como personagem. Ele não é, na minha opinião, um semblante do Peter Parker. Nada além daquilo que um novo personagem pode ser referência a um clássico. Se você perseguir características semelhantes você acha, mas não são elas que fazem o personagem. A idéia (pelo menos a idéia que eu captei) é a de ter um Lanterna Verde com a carcaterística de usar os poderes com criatividade (por isso o desenhista), que diferente dos anteriores, seria um legado de uma tradição gigantesca criada não só pela lenda de Hal Jordan, mas também por toda a Tropa dos Lanternas Verdes. O último dos Lanternas é um conceito de nível épico, tal qual o último filho de Kripton ou o solitário vigilante de Gotham (não tão soliário assim, mas enfim…). A semelhança com o Homem-Aranha fica por conta da juventude do personagem e das trapalhadas que acontecem em sua vida por ser um “super-herói por acaso”.
Outra razão por ser um bom substituto de Hal Jordan é o cenário no qual ele foi criado. Crepúsculo Esmeralda é uma das histórias mais impactantes da DC nos anos 90 (Não tive a oportunidade de lê-la. Eu a foliei com cuidado, li resenhas e li a saga imadiatamente posterior, Zero Hora). Hal Jordan, um dos mais clássicos heróis dos quadrinhos, cai em desgraça e ataca seus próprios aliados, tudo para conseguir poder suficiente para reconstruir a realidade (pouco ambicioso…). Incrível a ousadia da DC em questionar suas estruturas clássicas e rever o conceito de um personagem como hal Jordan. E para deixar o impacto firme, seria preciso, como o blogueiro acima disse, um personagem completamente diferente do original. Muitas seriam as possibilidades em cima de Jordan e Rayner.
Mas a DC atualmente resolveu tornar Crepúsculo Esmeralda e Zero Hora menores. Politicamente corretos em exagero, resolveram “revelar” que Hal Jordan não caiu em desgraça por descisão própria. Ele teria sido contaminado por uma entdiade que o influenciou maleficamente a cometer todos os crimes que resultaram nas sagas acima. (Você conhece algo parecido?) Não só retornaram com Hal Jordan, como também ressuscitaram seu vilão maior e a Tropa dos Lanternas Verdes.
Aí sim, Kyle Rayner perde muito de seu valor. Ele é só mais um Lanterna, que vive na sombra dos heróis de postura clássica, Hal Jordan e sua “versão afro”, nas palavras do blogueiro.
Por estes motivos eu creio que meu tempo com quadrinhos passou. Não por ter amadurecido ou coisa parecida, mas porque sou um nerd destes que gosta de coerência e cenários bem estabelecidos.

Há poucas semanas eu escutei os novos álbuns de Metallica e Guns ‘n Roses. Desde então pensei num post sobre a época em que eu ouvia estas duas bandas. Com a fatídica morte de Michael Jackson, eu senti que era mesmo a hora de falar daqueles tempos.
A época que eu falo é a primeira metade da década de 90: 1991 a 1995. É verdade que eu sou da opinião de que as décadas andam muito mais em decênios de 5 dígitos (66-75;76-85;86-95;96-2005;2006-2015…). Opinião intuitiva, sem muita fundamentação. O que importa aqui é que eu tenho a impressão de que 91-95 era a época de consolidar e esgotar tudo que fora criado nos anos 80.
Naquele tempo, eu era um pirralho, e do tipo que fazia muita bagunça. Eu adorava a companhia de meus primos da capital, todas as férias. Eles sempre me mostravam novidades incríveis, e eu ficava deslumbrado com tudo. Tudo menos comidas – custei a ter coragem de experimentar McDonalds e Pizzas diferentes. Por exemplo, foram eles que me apresentaram pela primeira vez um Compact Disc – justamente Dangerous. E, não sei se vocês se lembram, a capa deste álbum parece uma obra Rococó vienense! Aliás, os vestígios dos anos 80 ainda eram fortíssimos, e tudo na cultura era colorido de uma maneira brilhante e bizarra.
Neste tempo eu ainda não tinha condicões de formar minhas próprias opiniões (eu mal tinha 10 anos!). Mas várias coisas me marcaram.
Michael Jackson era mesmo uma delas. Foi talvez o primeiro cantor que eu realmente gostei. Meu pai trabalhava numa rádio de Campo Belo, e eu sempre pedia para tocarem músicas dele (quase sempre me davam um cano). Já meu irmão, bem mais velho que eu tinha sim seus gostos, e graças a mexericos nas gavetas dele eu pude ouvir Black Album, Guns ‘n Roses, Nirvana, Skank, Biquini Cavadão, Raimundos e… Miquinhos Amestrados!! Minha capacidade de interpretação era.. diferenciada: por exemplo eu associava Enter Sandman a ninjas, e Nothing Else Matters a ninjas morrendo dramaticamente…
A TV ainda era muito importante no meu dia a dia. Lembro de como me viciei em Tartarugas Ninjas e os Trapalhões. Gostava muito de Changeman e Jiraya, mas me recusava a assistir Jaspion ou Flashman…agora só não me pergunte que critério excêntrico eu utilizava para saber diferenciar a “qualidade” das obras. Eu passava longe de Sessão da Tarde. Só assistia filmes alugados, como as Tartarugas supracitadas ou Short Circuit 2. (Até hoje pago o preço por isso: nunca vi filmes como Curtindo a vida adoidado…). Uma tia minha foi morar nos EUA nessa época, e começou a me mandar filmes para assistir, mas eu ainda não entendia o inglês deles.
Eu comecei a ler quadrinhos e revistas. Eu viciei em revistas. Assinei minha primeira Superinteressante em 1993. Minhas duas primeiras HQs foram Grandes Encontros Marvel e DC: Super-Homem vs Homem-Aranha e “A aventura máxima dos titãs.”
Videogames entrariam na minha vida pra valer nesses anos. Eu não me tornei um nerd por causa de videogames, mas o primeiro sinal de que eu seria um freak surgiu assim. De longe, Mega Drive é o console mais gostoso de se jogar. Eu orgulhosamente fui o primeiro a alugar a fita Sonic 2 em Campo Belo; viciei em Street Fighter; era louco com jogos como Street Fighter II, Streets of Rage 2, Fifa Soccer… eu acordava todo sábado 6h30m da manhã para entrar na fila da Brinquei e alugar fitas antes dos outros (e ficava puto com quem as alugava na sexta…). Lembro do primeiro computador que eu vi. Era verde e preto, e o rapaz jogava Prince of Persia.
Isto tudo, claro, seguiu até o dia em que eu assisti a este episódio, ouvia Qualquer bobagem e tudo mudaria…
Como estas variáveis influenciaram no meu gosto atual? Não sei bem. Até pouco tempo atrás eu dividia meu gosto em antes e depois de Evangelion e a Internet. Mas as vezes sinto que vai mais além disso.
Fiquei agora curioso em pensar o que meus amigos ouviam, assistiam e jogavam nessa época?
Um artigo muito interessante do Omelete, “O que o mercado de HQs dos EUA tem contra os roteiristas brasileiros?”, de Érico Assis, é baseado em um comentário de Joe Quesada sobre a resistência do mercado de quadrinhos dos EUA em absorver roteiristas estrangeiros. Roteiristas, mas não desenhistas. Em suma, ele pensa que pessoas que não tenham o inglês como língua nativa teriam dificuldade em escrever histórias para o público estadunidense.
Vale a pena ler o artigo, que conta com comentários de roteiristas brasileiros famosos. Da minha parte, poderia até concordar que a diferença cultural é crucial para o desenvolvimento de roteiros, mas não consigo acreditar que isto seria ruim para o mercado. Não existe nada melhor para uma casa de idéias do que troca de idéias. Experimentar, e mais do que isto dar a chance aos de língua estrangeira mostrarem seus currículos, permitiria surgir não só oportunidades novas de quadrinhos, bem como poderia atiçar a criatividade dos próprios roteiristas já residentes no mercado das comic books.
Ah!
Eu voltei. (:
Alan Moore proclama:
“A gente precisa de mais filmes-porcaria no mundo? Já tivemos o bastante. E esses 100 milhões de dólares [orçamento de Watchmen: O Filme e de A Liga Extraordinária] podiam acabar com a guerra civil no Haiti. Além disso, os quadrinhos originais são sempre melhores.”
Nerd é difícil. Pelo menos esse aí cria boas histórias. Agora vai na Leitura bater um papo com mestres de RPG…
Do Omelete:
“No blog, Grampá explica que nunca gostou muito de Constantine (só havia lido duas histórias dele), que usou o colega artista Carcarah como modelo e que as cores da HQ também são produção nacional, do colorista e ilustrador Marcus Penna.”
Opa! Peraí? Marcus Penna? É seu parente Jojo?
(:
Confira aí uma das imagens bonitonas da arte de Grampá para Constatine:


