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Comentário de Vincent Benvis sobre o turismo no Brasil e a estagnação do número de estrangeiros visitantes no país:

Antes desses grandes eventos esportivos, por que o Brasil não está fazendo mais para atrair gringos? Pode ser que, no momento, não seja preciso. São os compatriotas que estão enchendo as vagas.

Nos últimos dois anos, eu fiz as minhas (espero) primeiras viagens para fora do país. Leia o resto deste artigo »

Em carta ao Estado de São Paulo, o juiz Valentino Aparecido de Andrade comenta a decisão do STF. Para mim, está muito clara, em que pese uma discussão que tive há vários meses, a aplicação da Lei da Ficha Limpa já para as eleições de 2010. Leia o resto deste artigo »

Na coluna Talking Point do Deutsche Bank Research, Markus Jaerger comenta como ele acredita que será a continuidade da política econômica do governo brasileiro, a partir de 2011: Leia o resto deste artigo »


“Aristófanes, pai da comédia antiga, exercia abertamente sua função de fazer o público rir, criticando instituições políticas e seus representantes. Se fosse brasileiro, hoje, Aristófanes não poderia realizar seu ofício. A visão democrática do TSE está mais atrasada que a da Grécia de 400 a.C.”

Danilo Gentili, escrevendo para a Folha. Muito interessante.

(…)

5 Exclusões gerais (O QUE NÃO ESTÁ COBERTO).

(…)

5.1.2 Causados por: fogo; atos decorrentes da natureza; roubo, furto, saque, vandalismo, motim, rebelião, revolta, revolução, força militar; caso fortuito ou de força maior, salvo prestação de serviço militar ou atos de humanidade em auxílio de outrem;(…).

“Desculpe senhor, mas nós não temos culpa se seu país não estava preparado para uma moeda comum bolivariana. “

“Mas os militares estão fazendo isso por nos salvar do império estadunidense!”

Se fosse para ter este tipo de regra, não deveria nem tentar vender num país latino americano. Eu me recusei a pagar mais por uma garantia dessas aqui!

Quando um autor resolve “prever” o futuro para criar um cenário que se passa à frente do nosso tempo, escolhe diversas tendências e modas, e as potencializa até elevar o status de algo típico de nossa “então cultura no futuro”. Claro que qualquer um com bom senso sabe que existem dois poréns: uma pessoa é incapaz de pensar em tudo (quanto mais deduzir as implicações de tudo nos anos que se seguirá); e um autor pega somente os temas que interessam para ele ou para sua obra, nem que seja um mínimo de interesse estético.

Interessante, na minha opinião, notar que todos autores futurólogos que eu conheço subestimam um ponto muito peculiar da nossa cultura atual: os coletivos.

É um conceito bizarro: o “coletivo” a que me refiro é um termo que vi na Revista Superinteressante, que tenta explicar um grupo de pessoas que se unem para fazer algo, seja qual for este algo.

“Retardado! Isto é lógico! Pessoas só conseguem se reunir para fazer algo! Nem que seja tomar cerveja fim de semana ou ver mulher na porta de casa!”

Calma! O que você não perceberá, se não esperar eu terminar de explicar, é que há pessoas que se reúnem por razões muito inusitadas. Sim, as pessoas sempre se reuniram para beber, ou para fundar uma empresa, ou estudar… mas desde quando as pessoas se reúnem para construir um coelho visível apenas pelo Google Maps? Ou para se fantasiar de zumbis em diversas parte do mundo? A Wikipédia é livre para qualquer um editar. Em BH (território dominado pela República Federativa do Brasil) existe o Ystilingue – espaço de “cooperação solidária entre grupos autônomos e indivíduos” e havia a Lojinha Grátis – cujo nome descreve literalmente a proposta da loja. No site da própria Super tem alguns exemplos de coletivos legais.

Os fãs de anime e mangá das antigas vão se lembrar de como era difícil e polêmico o trabalho dos fansubbers (grupos de legendam e distribuem animes gratuitamente) antes da Internet. Além de legendar os animes, eles tinham que copiar a fita e enviá-la para o fã; e ainda por cima fazer a manutenção dos videocassetes, que não aguentavam produções massificadas por muito tempo.

O que eu gostaria de incluir neste conceito são as novas formas de manifestação social, tais como orçamento participativo, a Ficha Limpa, e o Travel Hospitality Club (também em versões micro, como a comunidade do Orkut Caroneiros de BH/Campo Belo).

Coloco todos estes movimentos junto aos misteriosos coletivos porque ambos  são novas formas de se relacionar uns com os outros, e com isso criar algo que tenha um impacto na vida dos demais. E estas formas são novas não porque não existiam antes, mas porque quando informação era uma coisa cara as pessoas não conseguiam atingir grandes grupos, estes grupos nasciam e morriam sem causar impacto ou causando polêmicas demais. A não ser um punhado de exceções, como Jesus ou Lutero.

Mas estes grupos não tem a intenção de serem grandes organizações de terceiro setor ou algo parecido, eles possuem como único e exclusivo objetivo… seu próprio objetivo. Se eles se tornam grandes ou pequenos, se eles ficam ricos ou definham, se são morais ou imorais, pouco importa. O importante é se levantar da cama e fazer aquilo que foi proposto. É o que a Superinteressante chamou de Quarto Setor.

Hoje de manhã quando saí de casa, me deparei com um folhetinho bem ordinário com os dizeres “Você usa o pedaço verde da Rua Nicarágua? Já pensou alguma coisa sobre esse espaço público no meio dos prédios?”, além de alguns desenhos bonitos e slogans como “Tão pertinho de casa”. No bairro Sion existe um… troço errado… com a Rua Nicarágua. Ela termina em um lote vago (tem uma plaquinha com o nome da rua do outro lado, aliás) com um caminho cabuloso e escuro que algumas pessoas usam de atalho para a rua Patagônia (outra bizarrice, diga-se de passagem). O problema é que outras pessoas usam como fumódromo de substância ilegais, rendendo muita insegurança nos arredores. A proposta não está nem elaborada: você entra no blog com o usuário e senha e começa a postar suas idéias lá (acho a idéia até meio arriscada de sofrer vandalismos).

Então, o meu ponto é que antes eu podia até achar que estas coisas “alternativas” só chegavam a mim porque eu sou meio esquisito mesmo, e vivo cercado de gente doida (conheço o cara que inventou a Rola Kitty, e os malucos RPGistas do zine Mamute! além de uns membros do Gato Negro, um povo que quer pintar ciclovias clandestinas em BH…). Mas este folhetinho que chegou a mim vai chegar à minha vizinha que acha meu grupo de RPG barulhento, à república festeira do Paulo, e ao meu síndico que tenta dar tumé via controle de garagem.

Assim sendo, se eu fizesse minha versão de Bladerunner, 1984, Shadowrun, Lain, Minority Report, O demolidor… eu colocaria ao lado das mega-corporações ou super governos, enormes e complexas redes sociais, e poderosos membros do terceiro setor. Além de ter durante a minha história a eterna sensação de que, na verdade, quem manda mesmo no mundo é o discreto e bobinho quarto setor.

Close this world. Enter the nExt.


A única novidade aqui é saber que o homem é um baita dum fresco! E depois chama pelotense de viado…

Eu fiquei de 1999 a 2008 sem acompanhar muito futebol, tamanho foi o efeito de ter ficado no 0 a 0 o último jogo do Galo contra o Corinthians na final do Campeonato Brasileiro de 1999. Acho que o efeito foi maior porque foi justamente este resultado que o Guilherme jurou que não aconteceria, e eu tenho uma dificuldade em desconfiar de pessoas importantes (acredite, para um atleticano de 14 anos, o centro-avante do Galo é uma pessoa importante).

E quem me fez voltar a curtir futebol foram justamente os bons críticos, como Juca Kfouri, PVC e Tostão (além de aprender a jogar Winning Eleven, o que é outra história…). Eles me mostraram como que o futebol não é um simples esporte ou jogo. Ele é democrático (diz Juca, artístico (constata Tostão), e estratégico (analisa PVC). Assim, além de apaixonado pelo Galo, agora eu sou um entusiasta do futebol como um todo (menos a parte em que eu precise jogá-lo fisicamente…).

Mas nos tempos de copa do mundo, alguma coisa de errado acontece com estas pessoas. As críticas à seleção brasileira são:

A) Sem critério. Parece que não importa como esteja a situação da seleção. É impossível saber o que eles querem, a não ser o fato estilizado de que eles não querem a seleção atual. Não só de 2010, como também de 2006, de 2002, de 1994, 1982, 1970, 1958…

B) Apaixonadas. O tático, o estratégico, o real.. tudo que se prega ao longo dos anos, por exemplo para dizer quais times são favoritos na libertadores e nos campeonatos nacionais, vão por água abaixo para a copa do mundo. O que importa é que o jogo seja histórico por si só, quase coreografado, como um Supercatch de 22 lutadores. Os jogos de clubes são jogados, e depois dramatizados pelo que ocorre durante o jogo. Os jogos da seleção são dramáticos, e depois analisados pelo que ocorre durante o drama.

C) Elitista. Parece que não importa os critérios a serem utilizados na seleção de uma seleção. O único critério válido é: a chuteira de ouro do momento. Pouquíssimos meses atrás, era um absurdo pensar em deixar Ronaldinho Gaúcho de fora da copa. Logo após, era desesperador deixar Neymar fora de jogo, nem que isso custe não chamar o Ronaldinho. Por fim, dane-se Neymar e Ronaldinho, Ganso está aí pra ser o fodão. Nem que para isso se jogue fora todos os demais.

Três frustrações minhas. A falta de critério para definir o objetivo de uma partida de futebol arruina qualquer estratégia. Jogar bonito por jogar bonito tira toda a graça de se ver um jogo bonito, porque a arte deve ser resultado da vida, e não o contrário. E uma seleção só é legítima quando se tem os mesmos critérios do começo ao fim do processo de seleção; mudar de repente para dar um jeitinho de aparecer algumas estrelas arranca a democracia em favor do estrelato.

Gosto de futebol. Sou louco com o Galo. Mas eu não gosto de Copa do Mundo. Copa do Mundo no Brasil revisita todos os valores que desgraçaram o país a estupidez latino-americana do subdesenvolvimento. Não obstante a melhor forma de representar tudo de negativo do país é chamá-lo de “Brasil-sil-sil”.

Fosse eu Dunga, por puro desaforo, responderia toda pergunta babaca dos jornalistas com piadas de mau gosto, trocadilhos, citações de Oscar Wilde. É o que as perguntas merecem.

Para saber os critérios de seleção dos jogadores, vá estudar o histórico. Ao invés disso, os cronistas preferem denegrir a imagem do técnico. E fazem isto com uma maestria fora do comum, ao chamá-lo de vencedor, porém desgraçado. Assim, mesmo que ele vença, eles podem continuar a criticá-lo.

Fazer o quê? Fingir que torço para o Brasil, enquanto torço para ver o futebol que eu admiro: estratégico; exigente; gols surrados; jogadores se destacando sem deixar de fazer parte do grupo; logo, artístico.

Desde que o Galo continue jogando aos domingos e quartas-feiras, dane-se o resto.

Deveria ser fato estilizado (se não o é) que a geografia tem um impacto crucial no desenvolvimento de um país. A evolução inteira de uma nação (ou várias, dependendo do território…) passa pelas condições de clima, solo, altitude, fauna, solo e flora.

A cada ano que o inverno chega rigoroso, ou a cada dia que a chuva atrasa alguns planos, microdecisões mundo afora são tomada devido às condições postas pela natureza (ou devido aos custos de se contornar tais condições). No longo prazo, 100 anos de decisões, 200 anos de decisões, um bombástico século XX de decisões fazem de um país muito diferente de outro. Da cabeça quente pelo calor a guerras pelo melhor terreno, resta saber qual o impacto de tudo isto no desenvolvimento econômico.

Eu não concordaria se alguém me dissesse que os tropicais possuíam uma vantagem comparativa aos temperados, nos tempos em que agricultura era o maior diferencial econômico. Eu diria que, no meu achômetro, o problema do clima tropical seria em afetar o comportamento das pessoas. Isso não significa dizer que índio ou caipiras são preguiçosos, isto significa dizer que eles não tinham nenhuma visão estratégica mundial (como não se havia nos países temperados), e na visão deles eles não precisavam ser muito produtivos para serem felizes. Para eles, agricultores dos trópicos, era ótimo viver assim. As futuras gerações é que não veriam bons retornos destes comportamentos.

Desnecessário dizer, eu não saberia nunca decifrar o tamanho do impacto. Se era de 1% ou de 99%, se foi a variável mais fundamental ou mais desprezível.

Mas o professor Shikida me indicou um texto que me mostra uma evidência de que eu estava certo, só que pelas linhas tortas. Jared Diamond numqa pequena entrevista postada no blogue Diplomatizzando, aponta elementos muito mais interessantes:

(…)Mas os países de clima temperado são, em média, duas vezes mais ricos que os tropicais. Uma razão é que, nos trópicos, a produtividade agrícola é mais baixa. Há pestes, insetos, doenças, e os solos tropicais tendem a ser menos produtivos. Na América do Sul, os países mais ricos em agricultura são os de clima temperado: Argentina, Uruguai, Chile e a metade sul do Brasil. O poder econômico no Brasil não fica na zona tropical, nas regiões Norte ou Nordeste.

É um tema muito difícil e polêmico, mas útil. Este parece ser o autor certo para se ter boas leituras sobre este lado da história. De preferência, sem mexer em valores ariscos como nacionalismos e política econômica.

E, se antes do século XIX a renda per capital desenvolvia em marcha lenta, a variáveis de maior impacto eram mais naturais e menos econômicas. Faz até certo sentido que um biólogo seja foda no tema…

De Gustibus non Est Disputandum: “Um país de todos requer políticos que realmente combatam privilégios e não que os criem.”

Gosto muito quando o professor Shikida argumenta e dá sua própria opinião. Normalmente ele s’sabe das coisas, guarda pra ele, joga a ironia e eu que tenho que me virar pra investigar do que se trata! heheh

Até!

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