É interessante notar que existem formas diferentes de se pensar economicamente um ditado popular. Talvez as principais maneiras possam der definidas como ex ante e ex postEx ante quando você pensa como um economista e chega a uma mesma conclusão que um famoso ditado popular; e ex post quando o próprio ditado expressa um comportamento típico, e você consegue demonstrar esse comportamento empiricamente com modelos econômicos (ou simplesmente levando as conclusões racionais para um lado consensual). Como exercício interessante, tente identificar neste e-book e as explicações se enquadram em um ou outro método de explicação acima, e conclua por si mesmo se o que eu falei faz sentido.

Imagino que o provérbio que eu escolhi, talvez por ser um fenômeno natural, ele confunda um pouco na análise. Ele é ex ante, por existir uma teoria – dos custos de transação – que explica a mesma coisa que o ditado faz intuir na cabeça das pessoas. Mas também ele tenta imputar um comportamento nas pessoas, o de se esforçar para superar dificuldades, que o qualificaria para a característica ex post, não fosse um detalhe: “na natureza, tudo tende ao estado de menor energia”. Mas isto fica para um próximo e-book

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” parece uma explicação em senso comum de uma teoria econômica: custos de transação.

Um custo de transação é um custo incorporado quando se faz uma transação econômica. Por exemplo, a maioria das pessoas, quando compram ou vendem suas ações, deve pagar uma comissão para os seus corretores – tal comissão é um custo de transação para se fazer a negociação da ação {rimou!}. Considere então um rio chegando ao oceano: para formar seu curso da nascente à foz, seus custos não serão apenas escorrer até chegar ao nível do mar, mas também a energia e o esforço que se precisa para encontrar as brechas pelas quais ele pode passar ao longo do caminho; onde conseguir estas brechas; o choque de frente com rochas mais pesadas, espirrando água para fora do rio; o tempo esperando até erodi-las para que o leito fique grande o suficiente, e o esforço de realizar o caminho todo (atrito, calor, obstáculos); todos os custos abaixo ou além do custo do próprio rio correndo para o oceano podem ser considerado um custo de transação.

No caso do dito popular, ele indica que se a água insiste até que uma hora consegue “atingir seu objetivo” de erodir a pedra, mesmo que custe muito (tempo, principalmente, mas outros custos também), e a partir de então seu custo será drasticamente reduzido a apenas correr dali em diante para o oceano. As pessoas costumam usam este ditado para tentar despertar o ânimo de alguém quanto ao fato de que se ele insistir em pagar seus custos de transação, ele vai conseguir o bem estar que procura.

Os custos de transação que mais se adaptam ao ditado talvez sejam os de colhimento de informações, de procura e os de barganha. Mas não faz muito sentido quando se fala de custos de policiamento ou imposição de direitos e garantias – talvez por isso seja um pouco difícil observar esta relação. Outra dificuldade é que esta teoria está diretamente relacionada com a noção de organizações (apesar de que o ditado também é bom para estimular uma pessoa a montar o seu negócio, mesmo morando no Brasil!). Se você ainda não enxergou esta relação… se esforce um pouco mais. Talvez seja você que não tenha enxergado todos os custos e benefícios ainda… Paciência, afinal água mole em pedra dura, tanto bate até que (paga seus custos de transação e) fura!

Este final foi só uma brincadeirinha, pessoas. : )

Links interessantes:

Sobre o Coase Institute

Sobre Transaction Costs

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