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Meu valioso amigo Pilipe é um desses caras que é sempre bom ter por perto, pois ele sempre pode lhe passar dicas interessantes e informações (in)úteis.

Este cara teve pelo menos três oportunidades de mudar a minha vida com essas dicas dele.

Uma dica foi me apesentar Regina Spektor, cantora que só agora chega ao mercado brasileiro (uma bendita vizinha minha escuta Fidelity pelo menos 15 vezes – literalmente 15 vezes – seguidas por fim-de-semana garças a novela da Globo. Podia ser pior, podia ser Katinguelê ou sei lá o quê… Só sei que Regina Spektor rapidamente se tornou uma das minhas cantoras favoritas, e no meu Last FM acusa ela como um dos três intérpretes que eu mais ouço. Mais pura verdade. Adoro a voz dela, a sonoridade das músicas e suas letras fantásticas (Especialmente Pavlov’s Daughter, On the Radio, Your Honor e That Time – estão aí recomendadas!!).

Outra foi acadêmica. Ele insistiu tanto para que eu lesse Tábula Rasa, que até “comprou o livro para mim, sendo que eu podia pagá-lo bem depois”. Sorte minha que eu fui preguiçoso (500+ páginas de texto não-ficção…) e só li depois de terminar a faculdade. Assim, pude lê-lo com um senso mais apurado, e de fato, foi uma epifania. O livro é, do começo ao fim, uma confirmação das minhas idéias aliadas a conhecimento acadêmico e centífico. Ler Steven Pinker foi revelador e mudou minha visão de mundo – não mudou meu ponto de vista, só a forma como eu enxergo minhas próprias idéias, o que é ainda mais incrível.

A última dica dele a ser listada aqui (apesa de haver mais), foi o XKCD. O Genial Randall Munroe me foi apresentadoelo Pilipe e até hoje trata-se das tirinhas mais incríveis que eu leio. Diversão nerd-acadêmica-româtica-matemática garantida duas vezes por semana.

Entres outras mil dicas. Por isso o blog dele deve sempre ser lido! Este post todo virou uma espécie de homenagem, mas o sentido original era falar de Graveola e o Lixo Polifônico, banda regional que ele gostou muito e insistiu para que eu conhecesse. Conheci e gostei muito! Eu sou fascinado com bandas que misturam gêneros musicais sem nenhum compromisso além de trazer um som agradável para seus ouvintes.

Eu baiei as músicas e estou escutando direto. Recomendado. Muito bom. E, se o Pilipe deu a dica, sugiro que experimentem…

Inteki!

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À moda antiga porque é um daqueles posts em que a pessoa descreve seu cotidiano e tal… isto porque venho através deste comentar que passarei meu carnaval em CB City – bem longe das agitações urbanas de Rio, Salvador ou Ouro Preto. A bem da verdade, assim é que eu gosto!

Na verdade, preferiria inclusive ter ficado em Belo Horizonte. eu me snto realizado morndo numa cidade que comporta 2 milhões de habitantes mas que circule só 500 mil pelas ruas. Adoro cidade grande vazia. Principalmente porque ela não estará realmente vazia. As pessoas estão por aí sim, BH. Só que estão mais calmas, menos ignorantes e com melhor convivênvia. Um interiorzão.

Tivesse eu ficado em BH eu iria procurar os carnavais alternativos a noite. Boites e pubs com música boa e gente que goste tanto quanto eu de folia. Encheria só um pouquinho a cara; ficaria uns quinze minutos num canto sentido falta da minha gata (que passa um ótimo carnaval-família em Porto de Galinhas); pegaria o busão; dormia um pouco; estudaria para concurso; encontrava om amigos nerds (que também são pouco adeptos à folia); e voltava para os estudos. Nada melhor para descansar do que uma vida dessas.

Quando eu era mais novo, eu odiava o carnaval. Depois que eu li uma matéria num jornal de grande circulação comentando que existia todo um carnaval paralelo de brasileiros que não gostavam de folia, descobri que eu não estava só e me senti melhor. Hoje eu adoro carnaval. É um feriado que eu uso para fazer n coisas diferentes: Descanso, divirto, organizo minhas coisas, viajo e (por que não?) vez ou outra caio na folia também? Hoje em dia, enquanto não toca o funkão infernal eu me divirto a beça mesmo em festinhas barangas de carnaval tradicional.

A melhor coisa de ser uma pessoa “alternativa”, como alguns me chamam*, não é você ser diferente, é você ter o poder de esolher agir como “mainstream”, como “indie” ou como você quiser.

Bom carnaval! :)

* tirando os que me chamam simplesmente de estranho

Boa frase:

“Você se pergunta por que o governo totalitário e simplesmente não proibia o álcool de uma vez? Tire-se a liberdade, a propriedade, e até o irmão de um homem, você terá um homem amedrontado. Tire-se a cerveja e você terá uma revolução.”

Fiz esta semana algo que eu não imaginei que faria tão cedo: comprei uma revista Veja. Mas eu o fiz pelo mérito da edição. Afinal, não sou um ativista ideológico: aqueles que defenderem as idéias mais úteis (ou mais agradáveis, quando for o caso) sempre receberam meu apoio. E esta semana a Veja trouxauma Utilidade Pública como a anos não fizera igual: um tradicional político brasileiro se declarando desiludido por viver num bando de porcos. Lúcia Hippolito, ainda mais surpreendida que eu, postou na íntera a entrevista em seu blog.

Mas… e daí? Qual a novidade em dizer que a maioria do PMDB é corrupta ou que o governo Lula é uma lama incapaz e anti-ética? A novidade não é o conteúdo da entrevista, mas o impacto de como (e por quem) estas informações foram ditas. Uma boa análise das palavras de Jarbas Vasconcelos pode ser vista no Observatório da Imprensa.

Eu só quero reiterar minha satisfação em ter lido a entrevista. É incrível como que a postura de uma pessoa faz toda a diferença para a credibilidade do que ela diz. Para mim, o senador convence que sua desilusão é a real razão para o desabafo, e que o medo de não ter muita coisa interessante a perder garante que ele não tenha se auto censurado. Até a postura a posteriori, de não aprofundar nas denúncias, mostra o total desprezo do interlocutor pelo assunto. Não o desprezo imoral, mas um desprezo advindo do cansaço e da desilusão.

Podem até ser simples factóides as declarações de Jarbas. Mas ele não parece se importar com isso. Parece que ele disse aquilo porque não faz mais diferença, e que nossa sociedade imbecil vai continuar se preocupando com besteiras ao invés de seguir um caminho inteligente.

Lula lá!

Fernanda Takai passa a mandar no meu blogue! Mas Street Fighter é o que bomba mesmo por aqui. Fora Masdar, que eu só publiquei um post sobre o tema.

Agora continuam firmes e fortes Tônus Vital, Hellsing e Assolan

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Até!
(:

I have not finished reading it. It’s great, but it’s a long three part conversation, and I’m reading it at work. So it’s kinda of hard to read it all and… do my job! I’m finishing the part two, and on this part Neil Gaiman and Geoff Boucher talks about the British Invasion – both the original musical invasion and the comics one. Have at you:

GB: One of the great things about “The Sandman” and, before that, your work on “Black Orchid” was the approach of taking existing and familiar characters from the comics and adding new layers of complexity to their stories as well as more nuanced explanations of their motivations and origins. Along with Alan Moore‘s work on “Swamp Thing,” it seems to me that your character revival approach on “The Sandman” really created a template for a whole generation of comics writers.

NG: One of the things I had in common with Alan Moore and a whole generation of comics writers around us — certainly Grant Morrison — was a love and respect for what had gone before but also a healthy interest in seeing where we could go with it. It was a combination of those the two impulses. We were in a period then in mainstream American comics that things had gotten a bit hidebound. Comics read very much like a mixture of what had come before. And I think at the time you had this wonderful little transatlantic thing that happened, this mini-British Invasion. Looking back on it, the analogy of what happened to pop music in the 1960s was probably pretty accurate. Alan Moore got to be the Beatles and, along with Grant Morrison, I was Gerry and the Pacemakers.

GB: Well, don’t sell yourself short. What about the Kinks or the Stones?

NG: Right, maybe the Kinks or the Stones. But maybe I was Herman’s Hermits

GB: I’ve got it: the Animals. Then you can have a spooky Eric Burdon, “House of the Rising Sun” kind of thing going on.

NG: The Animals, yes. That would be cool. But yeah, the idea that you had Brits listening to this [American] stuff and fell in love with it and for all the right reasons, and then realized they could do something new with it, something with different cultural impulses. The British Invasion did that in music, and in a way, we did it in comics.

I’ve omitted some references… I just got tired, and I gotta work!!

[este é um antigo post meu, que estava perdido em meio ao meu LastFM. Na falta de criatividade e de tempo, deixo vocês com esta pérola da crítica musical não-muito-construtiva!]

Com seu papo poesia me transcende

Penélope

Pato Fu? Clã? Pillows? Na-nan… Aqui está o meu verdadeiro Lado-B.

A Banda Penélope (ou Penélope Charmosa… mais uma banda brasileira que não quis problemas com a Hanna-Barbera por motivos autorais), tinha uma proposta musical bem interessante – música para meninas. Bem, você pode então chamá-las de músicas “shoujo” , para uma melhor definição.

Versos como “hoje estou rubra pra baixo da cintura”, “brother is at home/he is tewty-five”, “lá fora o sol é radiante/meu vestido esvoançante tem um corte” mostram bem esse lado. Até o cover de Tom Zé, Namorinho de Portão, tem o seu lado meio “shoujo”: “o seu papo-furado/Paris lua-de-mel” e “o papai com cuidado/já quer saber/sobre meu ordenado/só pensa no futuro”, mesmo que cantada no masculino. E as músicas que fugiriam a este tema começam a falar de fantasia, sonho e cenários bucólicos. A perfeita definição do “shoujo” musical!

“Shoujo” musical cantado com uma voz de menina da Érika Martins, com flautas e pianos fazendo uma música que lembra o folk-rock. Eu chamaria de… pop-folk. Bom que ainda causa um certo embaraço ao brincar com duas palavras que se referem ao povo!

Penélope não fez sucesso, e a banda hoje deixou de existir para que Érika Machado seguisse carreira solo, algo que me chateou muito. E eu não entendo de qualidade técnica musical: deixo esta para quem quiser comentar este post. O meu gosto musical, para o bem ou para o mal, é pouco afetado por este tipo de variável! O importante para mim é que a música seja interessante para determinados momentos, e é extamente o que acontece com Penélope.

E assim como os shoujo mangá, Penélope me distrai, faz-me rir das pequenas coisas e me sentir relaxado com as grandes. Tudo o que eu preciso, por exemplo, para caminhar distraído até o meu serviço.

Have fun! Até!
=]

Segue texto na íntegra. Daria um ótimo filme (se isso já não aconteceu)

Em 15 de agosto de 858, o soberano pontífice foi acometido de violentas dores no ventre. Eram dores de parto. Só então se soube que João era, na realidade, Joana

Roma, 17 de julho do ano da graça de 855. Leão IV, papa havia oito anos, entregava a alma a Deus. Para substituí-lo no trono de São Pedro, os cardeais escolheram um clérigo tão piedoso quanto sábio, um certo João, o Inglês, assim chamado por causa da origem de sua família. O acontecimento era importante: por um lado, um estrangeiro tornava-se papa, o que não era habitual; por outro, havia sido escolhido por unanimidade, o que era ainda mais raro.

João VIII, monge do mosteiro de São Martinho, em Roma, era pouco conhecido. Tendo chegado à Cidade Eterna alguns anos antes, havia se destacado pela grande discrição e pela aura de uma vida dedicada aos estudos e à fé. E então, quando no século IX o papado ficou entregue às mãos das poderosas famílias romanas, ele tinha a vantagem de não pertencer a nenhum clã, de não tomar o partido de nenhum dos lados. Sua vida exemplar e o que dele se sabia o apresentavam mais como um intelectual devoto do que como um político.

João VIII era um intelectual. No mosteiro de São Martinho, reunia em torno de sua cátedra um auditório cada vez mais importante. Sua eloqüência, seu amor pela teologia e pelas ciências, tanto as sagradas quanto as profanas, o tinham levado a discussões públicas com os maiores eruditos da época. Ele nunca fora pego de surpresa, ou vencido. Ganhou o título de sábio dos sábios. Sua fama ultrapassou, assim, os muros do mosteiro.

Mas tão logo foi eleito, o quase santo não correspondeu às esperanças nele depositadas. O povo de Roma decepcionou-se. De que servia um santo no trono de Pedro, se ninguém podia se aproximar dele, ou mesmo vê-lo?

Na verdade, João VIII se tornou ainda mais discreto do que já era anteriormente. Passou-se um ano, e depois outro, sem sair do Vaticano. No entanto, ele não era inativo: ergueu igrejas e altares, compôs prefácios para as missas e instituiu a quaresma; devolveu o cetro e a coroa imperial a Luís II, filho do velho imperador Lotário, que havia se retirado para um convento. Tudo isso sem nunca aparecer em público.

Mas no início do ano 858 sua presença se fez necessária. Calamidades naturais abateram-se sobre as cidades e os campos. O rio italiano Tibre transbordou, houve um tremor de terra e nuvens de gafanhotos destruíram a colheita. A análise que a mentalidade da época fazia das catástrofes naturais era de analogia com as pragas do Egito. O pontífice, aquele que “fazia a ponte” entre a humanidade e Deus, precisava intervir.

Em desespero de causa, João VIII, convocado pelos cardeais, aceitou conduzir a procissão das Súplicas – destinada a fazer chover -, que devia acontecer no dia da Ascensão.

Na manhã desse dia, os sinos dobravam, e toda a população estava reunida para a festa, ao longo do itinerário previsto, que levava do Vaticano à igreja de São João de Latrão. Mesmo antes que o cortejo partisse do palácio pontifical, o entusiasmo estava no auge.

Enquanto milhares de vozes encobriam os salmos e as súplicas pronunciadas pelo papa, o cortejo cumpria as principais etapas, pelas ruas de Roma. O sol, elevando-se no céu, fazia-se mais e mais ardente, e as primeiras fileiras da multidão e dos cardeais começaram a notar que o rosto do papa se alterava, de quando em quando. Em seguida, uma careta de dor contínua marcou sua face. A preocupação tomou conta dos cardeais. Mais ainda porque o papa deixou de cantar e gemia surdamente. Os membros da Cúria se perguntavam se não seria melhor interromper a cerimônia.

Mas não houve tempo de responder. Subitamente, o papa soltou um grito, caiu da mula que o carregava, seguro somente por dois cardeais que estavam a seu lado. O sumo pontífice se dobrou sobre si mesmo, apertando o ventre e desmaiando. A multidão foi sacudida pela surpresa, os gritos e o choro substituíram os cantos religiosos. João VIII foi levado para o interior da igreja de São Clemente.

Lá dentro, ao mesmo tempo que se tentava descobrir a razão daquela dor no baixo ventre, ao se erguer as vestes do papa uma horrível revelação saltou aos olhos dos que ali estavam: o papa era uma mulher! Aterrorizados, todos fizeram o sinal da cruz. A cólera começou então a substituir o estupor. Mas o escândalo não terminava ali. O papa João VIII estava dando à luz, conspurcando as roupas de cerimônia e o local sagrado da igreja.

A inacreditável notícia se espalhou. Rapidamente ficou difícil conter a multidão, que tentava massacrar ali mesmo aquela que havia ousado desprezar o cargo mais importante da cristandade. Finalmente sabia-se quem era a responsável pelas calamidades enviadas pelo Senhor. João VIII, a papisa, morreu de dores de parto. A criança, uma menina, nasceu morta.

Todos se puseram de acordo para encontrar um culpado. No caso, o culpado foi João, o Inglês, doravante mais adequadamente chamado de Joana. A Cúria decidia não considerar aquela aventureira a única culpada. Providenciou-se uma diligência de investigação – o que se deveria ter feito antes – e se descobriu toda sua história.

Aos 18 anos, Joana partira com um amigo para Atenas – alguns textos falam de amante – para ali estudar grego e filosofia, passando uma primeira vez por Roma. Por motivos de conforto na viagem, vestiu roupas masculinas. Depois da Grécia, ficou na Inglaterra, terra de seus antepassados. Como seu companheiro morreu, ela voltou a Roma, capital do mundo cristão, e, antes como agora, principal centro da cultura religiosa. Todavia, ela tinha conservado as roupas masculinas, consciente das vantagens que podia auferir. Na verdade, graças àquelas roupas Joana foi apresentada aos círculos mais restritos, reservados aos doutos eruditos da cristandade, e introduzida nos mosteiros, que as mulheres não tinham o direito de freqüentar. Alguns santuários eram efetivamente proibidos, e elas só podiam venerar as relíquias dos santos, ali conservadas, uns poucos dias por ano. Antes dela, outras mulheres também tinham evitado a proibição graças a um disfarce. Foi assim que, por uma discrição constante e uma sede de trabalho intelectual, Joana pôde, nos primeiros tempos, integrar o mosteiro de São Martinho em Roma, e depois, finalmente, ser eleita papa.

Permanecia o mistério da gravidez. Como explicar que ela estivesse grávida, ela que sempre tinha sido de uma pureza e de costumes irrepreensíveis? Bocage, muitos séculos depois desses acontecimentos, indicou que, cedendo à licenciosidade que reinava em Roma, Joana havia se deixado seduzir por Lamberto da Saxônia, embaixador naquela cidade. Pergunta-se se ele, ao querer seduzir um papa, se viu de repente com uma jovem mulher nos braços, ou se teria antes descoberto a mulher por detrás do papa. A história não fala diretamente, mas ainda assim revela bastante sobre a licenciosidade sexual da corte pontifical de então: alguém ambicioso podia empregar todos os meios para atingir seus objetivos. Lamberto da Saxônia, por exemplo, não assumindo absolutamente o papel de pai da filha do papa, se eclipsou judiciosamente, antes que o escândalo estourasse. E foi esse escândalo que se tornou de conhecimento geral no dia da Ascensão em 858.

As primeiras fontes que contaram a história da papisa Joana datam de quatro séculos depois dos acontecimentos. Pois se certos manuscritos falam deles, como o de Anastásio, o Bibliotecário (século IX), ou as crônicas de Martin le Scot, monge de Fulda (século XI), e de Sigebert de Gembloux (século XII), assim foi somente nas versões dos séculos XIV e XV. Os manuscritos originais não dizem uma única palavra a respeito. Na realidade, o testemunho escrito mais antigo sobre a papisa está em A crônica universal de Metz, redigido por volta do ano 1250 pelo dominicano Jean de Mailly.

Segundo ele, o episódio aconteceu no final do século XI. Ele o cita como um boato: “A verificar. Naqueles anos, houve um certo papa, ou melhor, uma papisa, pois era mulher; disfarçando-se de homem ela se tornou, graças à honestidade de seu caráter, notário da Cúria, em seguida cardeal, e finalmente papa (…)”. Esse texto, por sua vez, está reproduzido no Le traité des divers sujests de prédication, do dominicano Étienne de Bourbon, escrito por volta de 1260. Depois de Étienne de Bourbon, a história foi ganhando detalhes. Assim, em sua Crônica dos papas e imperadores, o dominicano Martinho, o Polonês, diz: “Depois desse Leão, João, tido como inglês, mas na verdade originário de Mogúncia, reinou 2 anos, 7 meses e 4 dias. Morreu em Roma e o papado ficou vago por um mês. Pelo que se diz, ele era uma mulher. (…) Ele não foi inscrito na lista dos santos pontífices, em razão da não conformidade de sexo”. Essa crônica teve um sucesso extraordinário. Mais de 150 manuscritos chegaram até nossos dias.

Com a divulgação desses relatos, a crença na história da papisa foi confirmada. Em 1403, quando Jean Gerson pregava diante do papa Bento XIII, em Tarascona, ele citou-a como personagem oficial da história. Ao indicar, no Concílio de Constância, que ela havia ocupado o trono pontifical durante dois anos, Jan Huss não foi desmentido por ninguém. Assim como o cardeal Juan de Torquemada, tio do famoso inquisidor, quando recordou sua história, em sua Súmula para a Igreja, em 1561.
Essa versão só foi alterada no fim do século XVI. Clemente VIII conseguiu do grão-duque da Toscana que o retrato da papisa fosse apagado da catedral de Siena, onde há representações de vários papas. Foi na época da Contra-Reforma católica que as dúvidas sobre a existência da papisa começaram. Concomitantemente ao fato de os protestantes explorarem essa história, para mostrar a depravação do clero católico em todas as épocas.

Para dar uma resposta a esses polemistas, os católicos transformaram-se em críticos históricos. O primeiro a fazer isso foi sem dúvida Jean l’Aventin, que em seus Anais bávaros refutava o que ele chamava de lendas sobre a papisa. Os eruditos católicos, por sua vez, afirmavam que era materialmente impossível situar João VIII, nome oficial e registro do exercício do papado por Joana, na data em geral atribuída pela lenda. Se um João VIII havia realmente existido , não havia qualquer lugar para a papisa na cronologia dos papas, como confirmava o Liber Pontificalis, a solidíssima historiografia dos papas.

De Onofrio Panvivio a Florimon de Rémond, todos os eruditos negaram a lenda. No século XVIII, o golpe mortal foi dado por Bayle, em seu Dicionário histórico e crítico. Os filósofos do Iluminismo tampouco acreditavam. E se os opositores do clero, do século XIX, tentaram relançar a lenda, tampouco tiveram sucesso.

IVAN MATAGON é especialista em história medieval.
O verdadeiro João VIII: dez anos de reinado
João VIII existiu realmente, mas à exceção do nome não tinha nada a ver com a papisa. Sagrado papa no final de dezembro de 872, ele sucedeu a Adriano II. Palaciano, foi por muito tempo arquidiácono (chefe dos diáconos responsável pela coleta de esmolas) e se revelou tão ponderado como econômico. Seu cuidado com as finanças permitiu que ele enviasse tropas contra os sarracenos e promovesse grandes obras em Roma, cidade que era então um vasto campo de ruínas, com as antigas construções ainda em pé. Assim, foi sob seu reinado que as paredes do Vaticano foram reforçadas. João VIII  morreu em 15 de dezembro de 882, sem dúvida envenenado por um clérigo da Cúria.

O ritual de checagem do sexo papal

Depois do incidente que se seguiu à eleição involuntária de uma mulher para o trono de Pedro, os clérigos do Vaticano tiveram a idéia de submeter o eleito a um ritual que certificasse o sexo do futuro papa. No momento da investidura do novo pontífice, ele tinha que se sentar numa cadeira semelhante a um assento sanitário que o obrigava a abrir as pernas. Um diácono se assegurava então da presença dos órgãos genitais masculinos, pronunciando a frase “Habet duos testiculos et bene pendentes”. Ainda existem duas dessas cadeiras. Uma está no Vaticano, a outra, roubada, como tantos outros tesouros por subordinados de Napoleão quando da campanha da Itália, está no Museu do Louvre.
Alexandre Jardim
Publicado no Recanto das Letras em 29/04/2007
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original(Alexandre Jardim). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Enquanto a lista de discussões da Administração Pública rende assuntos políticos, os conteúdos mais interessantes faço questão de publicar. Agora segue uma mensagem na íntegra de um anexo a um dos e-mails que eu recebi. Vou manter a identidade da pessoa segura dessa vez.

Como diria meu professor Shikida: Ei-lo

Acho que eu editei este texto aí também! Vou pedir uma farpelinha para a equipe do Quintão!

Mais detalhes aqui, e… bem… aqui

Vale lembrar que não fui eu quem descobriu isto. Foi o pessoal da lista de discussões via e-mail dos administradores públicos do Estado de Minas Gerais, que entre outras, já declararam literalmente ter MEDO do Quintão prefeito. Amigo do governador, tudo bem. Mas… e dos gestores estaduais?

Até!

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