Há poucas semanas eu escutei os novos álbuns de Metallica e Guns ‘n Roses. Desde então pensei num post sobre a época em que eu ouvia estas duas bandas. Com a fatídica morte de Michael Jackson, eu senti que era mesmo a hora de falar daqueles tempos.
A época que eu falo é a primeira metade da década de 90: 1991 a 1995. É verdade que eu sou da opinião de que as décadas andam muito mais em decênios de 5 dígitos (66-75;76-85;86-95;96-2005;2006-2015…). Opinião intuitiva, sem muita fundamentação. O que importa aqui é que eu tenho a impressão de que 91-95 era a época de consolidar e esgotar tudo que fora criado nos anos 80.
Naquele tempo, eu era um pirralho, e do tipo que fazia muita bagunça. Eu adorava a companhia de meus primos da capital, todas as férias. Eles sempre me mostravam novidades incríveis, e eu ficava deslumbrado com tudo. Tudo menos comidas – custei a ter coragem de experimentar McDonalds e Pizzas diferentes. Por exemplo, foram eles que me apresentaram pela primeira vez um Compact Disc – justamente Dangerous. E, não sei se vocês se lembram, a capa deste álbum parece uma obra Rococó vienense! Aliás, os vestígios dos anos 80 ainda eram fortíssimos, e tudo na cultura era colorido de uma maneira brilhante e bizarra.
Neste tempo eu ainda não tinha condicões de formar minhas próprias opiniões (eu mal tinha 10 anos!). Mas várias coisas me marcaram.
Michael Jackson era mesmo uma delas. Foi talvez o primeiro cantor que eu realmente gostei. Meu pai trabalhava numa rádio de Campo Belo, e eu sempre pedia para tocarem músicas dele (quase sempre me davam um cano). Já meu irmão, bem mais velho que eu tinha sim seus gostos, e graças a mexericos nas gavetas dele eu pude ouvir Black Album, Guns ‘n Roses, Nirvana, Skank, Biquini Cavadão, Raimundos e… Miquinhos Amestrados!! Minha capacidade de interpretação era.. diferenciada: por exemplo eu associava Enter Sandman a ninjas, e Nothing Else Matters a ninjas morrendo dramaticamente…
A TV ainda era muito importante no meu dia a dia. Lembro de como me viciei em Tartarugas Ninjas e os Trapalhões. Gostava muito de Changeman e Jiraya, mas me recusava a assistir Jaspion ou Flashman…agora só não me pergunte que critério excêntrico eu utilizava para saber diferenciar a “qualidade” das obras. Eu passava longe de Sessão da Tarde. Só assistia filmes alugados, como as Tartarugas supracitadas ou Short Circuit 2. (Até hoje pago o preço por isso: nunca vi filmes como Curtindo a vida adoidado…). Uma tia minha foi morar nos EUA nessa época, e começou a me mandar filmes para assistir, mas eu ainda não entendia o inglês deles.
Eu comecei a ler quadrinhos e revistas. Eu viciei em revistas. Assinei minha primeira Superinteressante em 1993. Minhas duas primeiras HQs foram Grandes Encontros Marvel e DC: Super-Homem vs Homem-Aranha e “A aventura máxima dos titãs.”
Videogames entrariam na minha vida pra valer nesses anos. Eu não me tornei um nerd por causa de videogames, mas o primeiro sinal de que eu seria um freak surgiu assim. De longe, Mega Drive é o console mais gostoso de se jogar. Eu orgulhosamente fui o primeiro a alugar a fita Sonic 2 em Campo Belo; viciei em Street Fighter; era louco com jogos como Street Fighter II, Streets of Rage 2, Fifa Soccer… eu acordava todo sábado 6h30m da manhã para entrar na fila da Brinquei e alugar fitas antes dos outros (e ficava puto com quem as alugava na sexta…). Lembro do primeiro computador que eu vi. Era verde e preto, e o rapaz jogava Prince of Persia.
Isto tudo, claro, seguiu até o dia em que eu assisti a este episódio, ouvia Qualquer bobagem e tudo mudaria…
Como estas variáveis influenciaram no meu gosto atual? Não sei bem. Até pouco tempo atrás eu dividia meu gosto em antes e depois de Evangelion e a Internet. Mas as vezes sinto que vai mais além disso.
Fiquei agora curioso em pensar o que meus amigos ouviam, assistiam e jogavam nessa época?